Tiracolo

Por Vanessa Henriques

Ando pela rua ainda um pouco sonolenta quando sinto uma sensação estranha. Segundos depois, chego à conclusão de que não é a primeira vez que isso acontece: arrebentei mais uma alça de bolsa. Por sorte desta vez não foi como na primeira: não chovia, e minha bolsa não saiu rolando ladeira abaixo.

Saio pela rua carregando a bolsa como um bebê, no colo, e desviando dos olhares curiosos dos outros pedestres. E penso no sermão da montanha que vou ouvir quando chegar em casa: “pra quê levar tanta coisa nessa bolsa?”, “vai ficar toda torta de carregar tanto peso”.

Pois listo aqui todos os itens que habitavam a minha bolsa na cena do crime: chave, carteira, celular, fone de ouvido, agenda, um livro, nécessaire, guarda-chuva, uma banana, um pedaço de panetone, um Yakult. Tirando a parte comestível, todo o resto anda comigo por aí todos os dias e eu não abriria mão de nenhum desses itens!

Não tem jeito. Corro o risco de cair no clichê, mas sou o maior exemplo da classe: mulher adora uma bolsa. Nova então, nem se fala! Tem como não amar um acessório que carrega tudo que você precisa e ainda te deixa mais bonita? E não basta ter uma, amigo, tem que ter uma para cada ocasião.felix

A única coisa que me incomoda é o peso. Já tentei substituí-la por uma mochila, sem sucesso: com a possibilidade de carregar mais peso, acabo levando os itens de sempre e ainda invento outros para colocar nela.

Tentei também a terapia de choque: andar sem bolsa, só com uma pequena carteira no bolso. Prático, simples e funcional, mas não aguento o sentimento de insegurança de andar por aí sem um guarda-chuva ou um potinho de fio dental. E se chover? E se eu comer salada?

Segundo estudos, a origem do uso da bolsa remonta ao período pré-histórico, como objeto utilizado pelos povos nômades para carregar sua caça e colheita. Há, inclusive, inscrições em cavernas que comprovam esta teoria, com esboços de um tipo de saco feito com pele de animais carregado pelas pessoas. Não é uma Chanel, mas dá pro gasto!

Portanto, quem sou eu para contrariar meus instintos mais antigos e abandonar de vez minha bolsa? Não tem como! Se doer um ombro, passo para o outro, e fica tudo bem.

Hoje ainda não choveu. E vou de massa no almoço.

Resposta

  1. Sem comentários! (e espero que continue assim, pois se meninas começarem a comentar essa crônica vai crescer, rs)

Deixe um comentário

From the blog

About the author

Sophia Bennett is an art historian and freelance writer with a passion for exploring the intersections between nature, symbolism, and artistic expression. With a background in Renaissance and modern art, Sophia enjoys uncovering the hidden meanings behind iconic works and sharing her insights with art lovers of all levels. When she’s not visiting museums or researching the latest trends in contemporary art, you can find her hiking in the countryside, always chasing the next rainbow.