Copos e Copas

Por Vanessa Henriques

Peço que perdoem minha falta de criatividade. Na verdade, não há o que perdoar, afinal minha falta de criatividade — ou minha criatividade para coisas estúpidas, não sei bem — está rendendo um texto quando eu nem iria passar por aqui.

Mas não pude evitar escrever algumas linhas torpes sobre uma utilidade moderna: o copo de requeijão de plástico. Se você olhar ao seu redor, é capaz de encontrar ao menos um dele servindo para tudo, menos para colocar requeijão.

Para dizer a verdade, não me rendi a esses copinhos de cara. Sempre gostei da idéia de comprar requeijão e, de quebra, ganhar um copo de vidro. Lembro-me dos armários abarrotados de copos coloridos na cozinha de minha mãe, enquanto eu e minhas irmãs nos estapeávamos pelos mais bonitos: o da vaquinha! O do gatinho! O da Mônica!

As indústrias de copos podiam não gostar, mas eu adorava ficar em frente à geladeira escolhendo um copo que não fosse repetido — ou um repetido que fizesse sucesso. Até que um dia, não mais que de repente… Surgiram os copinhos de plástico. Aos poucos todas as marcas adotaram a novidade, e ninguém mais fazia aquela meleca quando derrubava o pote de requeijão no chão.

Olhava de rabo de olho para esses potes novos, que teimavam em se acumular nos armários. Como velhos hábitos são difíceis de mudar, seguia guardando os copinhos, à procura de alguma utilidade.

Surgiram várias utilidades: guardar pazinha para mexer café, transportar alimentos, porta-lápis, porta-treco, porta-shampoo, medidor de água, de arroz e até de sabão em pó, vaso de flor, pote pra guardar brigadeiro pra visita no final da festa (“não precisa devolver!”), chocalho e tantas outra mil (in)utilidades.

O fato é que os copinhos se espalharam por todos os cômodos da casa, pelo trabalho, no carro e até pela bolsa. Eles são onipresentes. Alcançaram lugares onde o copo de vidro jamais sonhou chegar. Aliás, Obama, tenho uma dica para você: esqueça as escutas telefônicas e o monitoramento de contas de e-mails e facebook. Da próxima vez, invista nos copos de plástico. Você chegará onde nenhuma escuta pensou em chegar!

E aqui termina essa crônica inútil e sem pé nem cabeça. Ou talvez sem copo e tampa. Sei lá! Eu vou é fazer docinho, que amanhã é dia de festa lá em casa. E já vou separar os potes para os brigadeiros…

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About the author

Sophia Bennett is an art historian and freelance writer with a passion for exploring the intersections between nature, symbolism, and artistic expression. With a background in Renaissance and modern art, Sophia enjoys uncovering the hidden meanings behind iconic works and sharing her insights with art lovers of all levels. When she’s not visiting museums or researching the latest trends in contemporary art, you can find her hiking in the countryside, always chasing the next rainbow.