Por Vanessa Henriques
Com necessidades básicas não se brinca — pelo menos essa é a minha opinião sobre o assunto. Mas tenho a leve impressão de que muita gente se diverte tentando nos confundir em momentos periclitantes, daqueles em que você não consegue distinguir A de B e precisa de uma resposta simples e descomplicada para seus anseios.
Cheguei a essa conclusão diante da necessidade de tirar a água do joelho, tão natural a todas as criaturas que andam por essa Terra, e me deparei com uma plaquinha de identificação de sanitários bastante confusa: um boneco totalmente desconstruído, do qual não se poderia aferir qualquer identificação de gênero, seguido da letra M.
Não tive dúvidas em assumir que se tratava de um M de mulher e me dirigi rumo ao sanitário. Eis que sai pela mesma porta um homem, bastante confuso com minha atitude. Olho de soslaio para a outra porta, com um boneco igualmente desconstruído, e ao lado a letra F. Cai a ficha: feminino/masculino…
Longe de mim entrar num assunto tão polêmico como o uso de banheiros por quem ou o quê. Deixo o assunto pro Laerte. O fato é que eu gostaria de usar o banheiro feminino mesmo, como boa tradicionalista que sou, mas, principalmente, saber qual é ele!
Alguns estabelecimentos mantém a clássica plaquinha da sombra de um homem — sem roupas e sem documento, diga-se de passagem — e de uma mulher de vestido. Mas muitos querem inovar, melhorando a estética do ambiente e confundindo a vida daqueles que têm a urgência como mote. E dá-lhe placa de animais (que possuem macho e fêmea, é bom lembrar), de chapéus, cartolas e luvas (itens muito utilizados em nosso guarda-roupa contemporâneo), letreiros de neon capazes de cegar os incautos apressados, além dos já clássicos bonecos impressionistas, dos quais não dá pra tirar conclusão alguma de perto.
Há quem prefira os duos Senhor/Senhora, Homem/Mulher ou o polêmico Masculino/Feminino. Porém os meus preferidos são aqueles que nos transportam para os tempos de nossos avós, como Ele/Ela e Cavalheiro/Dama — que geralmente são adotados para combinar com as mais loucas grafias da palavra toalete. De qualquer modo, quando está escrito, a associação é rápida, ainda que seletiva (pois nem todo mundo sabe ler).
O fato é que se as mulheres são de Vênus e os homens são de Marte, isso não significa que eu vou saber diferenciar os dois símbolos na hora do aperto. E quem muito complica, pouco ajuda. Posso estar meio ranzinza, mas é que, como alguém disse, tem coisas com as quais não se brinca…
* Tirinha – Laerte. Disponível em http://misturaurbana.com/wp-content/uploads/2013/08/muriel783.jpg Consulta em 03/09/2013.

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