Por Vanessa Henriques
Outro dia ia tranquila para o trabalho, com alguma preguiça e muito sono. Ia perdida em pensamentos quando vi um ônibus encostando no ponto. Saí correndo, aproveitei que o farol tinha acabado de fechar e consegui entrar.
Depois que passei pela catraca, veio a dúvida: “mas será que esse é o meu ônibus?”. Tinha saído correndo ao ver um ônibus de cor vinho, com duas ‘sanfonas’, e nem pensei que poderia ser outro. Procurei pela plaquinha com o itinerário: não tinha. Procurei a outra plaquinha, com o número da linha, que fica no vidro de trás. Nada.
Olhei para os passageiros, à procura de um rosto amigo. Nada novamente. O jeito era aceitar a situação, afinal me recusava a perguntar pra alguém, bem baixinho, como quem não quer nada… “que ônibus é esse mesmo?”. Seria taxada de louca. Antes me perder do que isso.
Vagou um lugar, resolvi sentar e relaxar. Devia ser o ônibus certo. O caminho era o mesmo, então só podia ser ele. E se não fosse?, comecei a divagar. Cochilei pensando nos possíveis lugares que poderia ir parar e que caminho teria que pegar para voltar à rota original. Pensei na desculpa para o chefe, pelo meu atraso.
Quando a ideia de me perder por aí começava a me agradar, um solavanco me acordou. Já estava quase no meu ponto, então desci sem olhar para o letreiro, que agora seguia viagem para um destino talvez desconhecido. O relógio, implacável, marcava 08h59.
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