677A-10 — ou algo do gênero

Por Vanessa Henriques

Outro dia ia tranquila para o trabalho, com alguma preguiça e muito sono. Ia perdida em pensamentos quando vi um ônibus encostando no ponto. Saí correndo, aproveitei que o farol tinha acabado de fechar e consegui entrar.

Depois que passei pela catraca, veio a dúvida: “mas será que esse é o meu ônibus?”. Tinha saído correndo ao ver um ônibus de cor vinho, com duas ‘sanfonas’, e nem pensei que poderia ser outro. Procurei pela plaquinha com o itinerário: não tinha. Procurei a outra plaquinha, com o número da linha, que fica no vidro de trás. Nada.

Olhei para os passageiros, à procura de um rosto amigo. Nada novamente. O jeito era aceitar a situação, afinal me recusava a perguntar pra alguém, bem baixinho, como quem não quer nada… “que ônibus é esse mesmo?”. Seria taxada de louca. Antes me perder do que isso.

Vagou um lugar, resolvi sentar e relaxar. Devia ser o ônibus certo. O caminho era o mesmo, então só podia ser ele. E se não fosse?, comecei a divagar. Cochilei pensando nos possíveis lugares que poderia ir parar e que caminho teria que pegar para voltar à rota original. Pensei na desculpa para o chefe, pelo meu atraso.

Quando a ideia de me perder por aí começava a me agradar, um solavanco me acordou. Já estava quase no meu ponto, então desci sem olhar para o letreiro, que agora seguia viagem para um destino talvez desconhecido. O relógio, implacável, marcava 08h59.

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5 thoughts on “677A-10 — ou algo do gênero

  1. rsrs que sorte…se bem que tem dia que dá vontade de entrar no ônibus errado e segui outro rumo rs muito bom o texto!! bjs

  2. Ahhhhhhhh quem nunca fez isso? A minha sorte é que sempre pego o ônibus errado quando estou atrasado ou indo para uma entrevista de emprego ou coisa do tipo. A Ligia pode garantir o meu talento pra ficar perdido…

    Adorei a frase “alguma preguiça e muito sono”…acho que isso resume os meus últimos meses

  3. Ah, o meu medo de me perder! Queria, metaforicamente, pegar o ônibus errado e seguir por caminhos diferentes. Mas, impossível! Esse meu medo faz com que eu me certifique o tempo todo de que estou pegando o mesmo ônibus de todos os dias e seguindo a mesma trilha monótona de todos os dias, para descer no mesmo ponto de todos os dias…

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