Por Vanessa Henriques
Após alguma comoção social, a empresa onde trabalho resolveu extinguir as lixeiras individuais, que ficavam nas mesas de todo mundo. Foi preciso um tempo de adaptação: a mão já ia sozinha em direção à antiga cesta, os papéis começaram a se espalhar pelos cantos, e foi preciso se lembrar de levá-los ao lixo com mais frequência.
Apesar de a medida gritar corte de gastos, me pareceu bastante mesquinho reclamar da falta do meu lixo particular. Que mal há em se levantar e ir até um lixo comum? Não é exatamente o fim do mundo (ou talvez o mundo que estamos acostumados nos mimou demais).
O problema é que as lixeiras são divididas em lixo orgânico e lixo reciclado (uma para cada material). A Tia Márcia ficaria decepcionada depois de taaaantas aulas sobre reciclagem na escola: confesso, meio envergonhada, que ainda não sei reciclar.
Tirando as cascas de fruta, latas metálicas ou papéis amassados, já me vi mais de algumas vezes parada em frente à lixeira tentando desvendar alguns quebra-cabeças: papel metalizado é papel ou metal? Pode reciclar o que está sujo? E o enigmático isopor, já se recicla? Coloco em qual lixeira?
Pior que não sou exatamente uma pessoa que despreza o meio ambiente: compro orgânicos, namoro a ideia de fazer um minhocário, desligo eletrodomésticos para economizar energia e conheço mais de uma pessoa que seja adepta da dança circular!
Não posso botar a culpa em ninguém além de mim mesma. Já li incontáveis folhetos sobre reciclagem, vi mil campanhas sobre o assunto, mas as dúvidas persistem. Quem sabe pelo hábito eu vá ganhando prática.
Mas, a julgar pelo fato de que o lixo orgânico sempre está mais cheio que os demais, não estou sozinha nessa. Vai ver somos toda uma geração perdida, que cresceu nos anos 80 e 90 e entrou em conflito com esse papo de 2000 de que tem que reciclar, que a COP-21 vai dar certo e que vamos passar por esta Terra deixando menos rastros de destruição do que nossos pais.
Tenho fé que os mais novos, ligados desde o prézinho nesse discurso ambientalista, vão tirar de letra. Perdoa, tia Márcia, não sabemos o que fazemos!
Deixe um comentário