S = S0 + vt

Por Vanessa Henriques

Tirei o fim de semana para estudar Física. Sim, aquela mesma, a matéria odiada por 9 em cada 10 alunos, cheia de corpos se movendo a velocidades constantes, com ou sem atrito, liberando uma energia calculada em Joules (ou qualquer dia no metrô da linha vermelha).

A última vez que encarei esse desafio foi em 2006, enquanto estudava para o vestibular. Lá se vão 12 anos sem me deparar com as leis de Newton. Minha vida mudou muito nesse período, mas eu ainda tenho dificuldade de entender o que puxa a maçã da macieira para o chão.

Eu não aprendi a gostar de Física, então ela se tornou uma barreira. Foi, de longe, a coisa que mais estudei no ensino médio, dada a minha óbvia dificuldade. Ela roubou meu tempo de estudo de História, Geografia e Português, matérias com as quais sempre tive mais afinidade. Ela me fez perder muitas tardes resolvendo exercícios quase impossíveis de vetores e polias.

Até que, a partir de 2007, a Física saiu da minha vida para nunca mais voltar. Tive que ocupar esse espaço desagradável com outros afazeres (trabalhar, passar roupa, ir para a academia, passar mais de 1 hora no metrô todo dia e… esta lista não tem fim). Olhando assim, não me parece que fosse tão ruim gastar um tempo calculando o calor específico da água.

A partir do momento que fiz uma escolha (olá, Humanas), boa parte deste conhecimento escolar ficou para trás. Ou, ao menos, adormecido, como um esporo (contei que também estudei Biologia?).

Você deve estar se perguntando o motivo de tudo isso. Bem, lá vamos nós em mais uma aventura em busca de realização profissional®, que exige voltar para trás para ir para frente. Mas eu sinto que estou indo mais é pela tangente mesmo, da qual eu não faço ideia como calcular o cosseno.

As portas que a escola parecia abrir foram se fechando ao longo dos anos, nenhuma novidade nisso. Virou mais é uma porta dos desesperados, com alguns monstros saindo detrás delas, outras com alguns prêmios bestas como recompensa (“Playstation! Playstation!”). Saudade desse tempo em que tudo parecia possível, as consequências não eram pesadas em balança de precisão milimétrica e o risco não era calculado em ábaco.

A equação desbalanceou, ainda que eu saiba que a mesma massa que entra é a que sai. Eu devo ser ainda a mesma, transfigurada após alguns reagentes que corroeram minhas expectativas mas com o bônus de ter ganhado experiência (com a liberação de água pelo canal lacrimal, mas isso é praxe).

De que adiantaria ser adolescente sabendo tudo que te espera pela frente? De que vale ser adulto sem criar as mesmas expectativas juvenis a cada novo ciclo? O distanciamento histórico não garante análise fria, nem nos livra de ser anacrônicos.

Ao menos uma constante permanece inalterada nas condições normais de temperatura e pressão: a redação ainda é a parte mais fácil de qualquer prova que venha pela frente.

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