Vendeu-se

Por Vanessa Henriques

Alguém insiste: vamos lá na nossa rua

Eu vou

Mas na rua já não há mais nada de mim.

 

A rua da minha lembrança era ampla, com árvores, pouca gente

Era sem pressa, sem tempo, brincar de ver nuvens

Era um portão barulhento, uma porta pesada, e o alívio de estar protegida da chuva ou do perigo.

 

Agora vejo prédios altos, desajeitados na minha rua

Carros por todos os lados, subindo pelas paredes

Ela não foi feita para comportá-los.

 

E da casa, só sobrou uma fresta, um muro alto, nada mais se vê.

E de mim só sobrou essa, lembrança do que não se pode mais ser.

Respostas

  1. Adoro quando venho e vejo uma poesia
    =)
    Não deixe de escrevê-las de tempos em tempos

  2. Aeeee estava saudoso dos seus textos! Muito bonito, por sinal =)

Deixe um comentário

From the blog

About the author

Sophia Bennett is an art historian and freelance writer with a passion for exploring the intersections between nature, symbolism, and artistic expression. With a background in Renaissance and modern art, Sophia enjoys uncovering the hidden meanings behind iconic works and sharing her insights with art lovers of all levels. When she’s not visiting museums or researching the latest trends in contemporary art, you can find her hiking in the countryside, always chasing the next rainbow.