Por Vanessa Henriques

Eu invejo os poetas. Também invejo os pintores e escultores. Além do talento, invejo a liberdade que eles possuem para nomear suas obras. Quantas vezes estamos diante de uma pintura tentando entendê-la e captá-la em todos os seus sentidos, quando desviamos o olhar para a plaquinha branca no canto direito em busca de respostas. A recíproca é a mais broxante possível: Sem título, 1995, Óleo sobre tela.

Você fica ali, parado, volta o olhar para a obra e nada entende. Irrita-se com a picardia do pintor por não nomear sua pintura, sobrando até para o curador, que não providenciou uma plaquinha anexa explicativa.

Agora pense no pintor: após permanecer horas trancado em um abafado ateliê, pintando aquela que seria a obra de sua vida, a última preocupação em sua cabeça é bolar um título para todo aquele processo. As palavras são escorregadias e limitadas, e não seriam capazes de traduzir o que aparece diante de nossos olhos. Basta olhar, e isso será o suficiente.

Ah, como eu invejo os pintores. Quantas vezes me deparo com um texto acabado, diagramado e fechado, mas não tenho a mínima idéia qual será o título. Porque não ‘Sem título’? Não seria muito mais impactante? Instigante? Envolvente?

Diga, amigo leitor, com sinceridade: você prefere um texto brilhante com um título regular ou uma obra prima sem título? Porque eu ousaria macular um escrito preciso com uma porcaria de um título? Lembre-se que o título e os primeiros parágrafos são definidores para cativar a atenção dos leitores. Muitos não chegaram a esse longínqüo quinto parágrafo!

Enquanto as pessoas sonham com um personal trainer bonitão para correr na praia, ou um personal stylist para escolher suas roupas, eu sonho com um personal-titulador, que se sente numa confortável poltrona, leia meus textos, reflita, e dê um título condizente para cada um deles.

Na falta do personal, me contento com as ‘tempestades de idéias’, na qual um indivíduo ou um grupo de pessoas procura encontrar títulos e resoluções textuais dizendo a primeira palavra que vem na cabeça. Costuma ir por esses caminhos: A importância da geléia – geléia-geral – hum, vontade de geléia – molenga – moleza – pudim – caos estruturado!

Em sinônimo de protesto, termino esse texto pouco brilhante com um título poderoso e intrigante, revertendo o processo acima mencionado. Já tenho o Word como aliado: Sem Título.doc.

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Ecce mulier*

Por Vanessa Henriques

A primeros de mes una obra de arte llamó la atención de todo el mundo: no por su belleza, tampoco por su autora. Una vecina octogenaria, llena de buenas intenciones, restauró una pintura de autoría de Elías García Martínez hecha en una pequeña iglesia de Borja (Zaragoza). El resultado fue una total descaracterización de la pintura original y mucha repercusión en los medios de comunicación.

Sin embargo más que crítica, la señora —Cecilia Giménez —ganó también una legión de aficionados. Atribuyeron a su “obra” una versión distinta de la imagen tradicional de Jesus Cristo consagrada en el mundo occidental, e incluso identifican influencias expresionistas en sus trazos.

Además, Cecilia tampoco pudo escapar de las parodias que se multiplicaron por la internet. De Homer Simpson a Chewbacca,  varios rostros pasaron a ilustrar la imagen restaurada, contribuyendo con el carácter cómico de la situación.

Este episodio, además de gracioso, provoca una discusión muy rica para el mundo de las artes. ¿Sería esa obra de Elías García tan significativa? Ya existen tantas pinturas de Cristo parecidas a ella, pero ninguna como la creada por la señora. ¿Quién está habilitado para restaurar una pintura? Si todos empiezan a hacer lo que hizo Cecilia perderíamos obras únicas en todo el mundo.

En conclusión, este episodio mostró que el arte es también cambio, movimiento y un poco de locura. Y como otros pintores, Cecilia dejó una marca en la historia — nada mal para su primer trabajo, ¿no?

* Esse post foge um pouco à regra. Não é uma crônica, e sim uma redação feita para meu curso de espanhol. Compartilho com vocês porque me agrada o resultado, e peço que perdoem qualquer erro gramatical — assim que minha professora devolver a versão corrigida, atualizo por aqui!