Quero ver pipoca pular

Por Vanessa Henriques

Em uma cidade do tamanho de São Paulo, com uma oferta interminável de shows, festas, restaurantes badalados e muito que fazer, nada como um guia cultural no bolso antes de entrar em um furada. Tá certo que a maioria dos paulistas se gaba da vasta programação da cidade do conforto dos seus sofás, mas não deixa de apreciar a quantidade de opções.

Mas em quem podemos acreditar? Críticos podem ser muito, hum, críticos, e nos indicar os filmes “cabeça” da temporada como ninguém, mas e quando queremos um bom e velho pastelão? Amigos não são tão confiáveis assim, quem nunca caiu no papo do “vamos num lugar tranquilo” e acabou no meio de uma balada? Sem contar os guias de jornal, que sempre nos mostram os melhores roteiros – todos caríssimos.

Minha sugestão é singela, porém muito eficaz. Está em dúvida se um evento vale a sua presença ou não? Siga o rastro dele. Ou melhor, o cheiro. Estou falando do pipoqueiro, figura tão comum pelas praças e que, ao contrário do charmoso realejo, ainda marca presença nos melhores eventos.

Seja num show de banda cult gringa, numa festa ao ar livre, num cinema de rua ou numa cotidiana missa dominical, pode olhar em volta, que deve ter um por perto. Um ou vários, dependendo da importância do festejo. Afinal, quando o empurra-empurra domina, não há saquinho que chegue para tanto homem-pomba esperando milho!

Há quem diga que o poder do pipoqueiro vai além. Serve de alento para quem espera ansiosamente o fim de um discurso interminável, mas também como pressão sobre o padre que insiste em prolongar o sermão com a barriga roncando de meio-dias.

E se não tem pipoca? Aí meu amigo, nem adianta colocar foto no “feice”. Você foi vítima de um evento meia-boca propagandeado por essa enorme cidade. Sim, porque o pipoqueiro não se restringe a qualquer cidadela de interior do interior, está na metrópole na hora certa, no lugar certo, e com o cheiro certo.

Conheço um que há anos bate ponto na mesma praça, faça chuva ou faça sol. Diz que tem clientela fixa e não precisa correr atrás de burburinho. Outro que costuma conversar com a “moçada” para saber qual será a próxima aglomeração imperdível. E mais outro que está de segunda à sexta em frente ao portão de saída de uma escola – esse provavelmente toma banho de sal grosso pra se livrar da urucubaca que os pais jogam nele ao ouvir todo santo dia “mãe, quero pipoca!”.

O fato é que não tem sujeito mais esperto e empreendedor que o pipoqueiro. Conversa de cá, conversa de lá, e garante sua próxima parada. Taí um guia cultural que eu compraria sem pestanejar: um que fosse feito com o roteiro dos pipoqueiros. Fome eu não ia passar, e correria bem menos risco de comparecer a um fiasco.

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