Ai que…

Por Vanessa Henriques

Parem as máquinas! Macunaíma tinha toda razão! Que preguiça que dá viver nesse mundo, especialmente quando temos escada rolante, controle remoto, carrinho de supermercado e o insubstituível elevador. Mas será que é para tanto?

Não sou o sujeito mais atlético do planeta, mas também não renego minha bípede condição humana. E vez ou outra me pego sofrendo bullying – para usar a palavra da moda – por atitudes simples como recusar um elevador para subir um lance de escada. Sim, por causa de um lance ou um andar já ganhei olhares que no fundo dizem: “é, você se acha muito melhor do que nós por usar a escada, não é mesmo?”.

No supermercado é pior ainda. Aliás, qualquer comportamento humano é elevado à vigésima potência em um lugar que reúne pessoas, comida e carrinhos. Muitos carrinhos, e sempre com o dono ao seu lado, que não se importa nem um pouquinho em bloquear a passagem. E os úteis cestinhos, que sempre facilitam o comprador de dois itens, agora possuem rodas e ajudam também a atravancar a passagem.

Já fiz diversas análises antropológicas no setor do “sacolão” de um pequeno supermercado que frequento em meu bairro. A conclusão: se eu vou comprar batatas, deixo o carrinho em frente à banca de batata. Se preciso de laranja-da-pérsia silvestre, localizada no outro corredor, ali ao lado, levo meu possante comigo. E ai de quem reclamar!

E se é para falar de carrinhos, os carrões ocupam tal lugar de destaque em nossas vidas que tem quem não vá à padaria sem ele. Ou ao banco. Ou ao correio. E como mais eu deveria ir para a academia?

Mas sobre esse assunto, não sou a pessoa mais qualificada para opinar. Quer me deixar nervoso? Peça para eu ir ao banco, ao mercado e à farmácia de carro. Só de pensar no stress de parar o carro, sair, voltar, achar outra vaga, preencher a zona azul, descobrir que não tem zona azul, pagar R$5 por uma zona azul para deixar o carro por 10 minutos na vaga e etc já me convence a deixar o trambolho na garagem.

Eu tenho preguiça também, acaso esteja se perguntando. Não sou santo. E sei que toda essa parafernália surgiu para facilitar nossas vidas. Mas ainda me reservo o direito de subir uma escada aqui ou ali, só para me lembrar que ainda posso, e para saber que se um dia tudo isso acabar, não vou sofrer tanto…

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