Adeus Ano Velho

Por Vanessa Henriques

O relógio desperta pela manhã. A preguiça é tamanha que não tenho nem vontade de dormir por mais cinco minutinhos. Segunda-feira. Mas não é uma segunda-feira qualquer, é a segunda da fênix, pois só ela seria capaz de ressurgir das cinzas da quarta-feira de carnaval.

E haja paciência para ouvir “é, o ano começa hoje”. Chega a ser um insulto à inteligência dos que trabalharam durante todo o mês de janeiro, mas não deixa de ser verdade. As reuniões são inconclusivas (“fechamos depois do carnaval”) e as resoluções de ano novo sempre ficam para depois.

Carnaval é muito bom, e quem discorda é doente do pé. Mas alguém aguentaria ouvir um ziriguidum ininterrupto durante o ano todo? Todos detestam essa primeira segunda-feira do ano, mas ela tem sua utilidade.

Depois da correria do natal, das horas de trânsito para chegar à praia no ano novo e dos preços abusivos do carnaval, chegamos ao… nada. Não há grandes festas por vir, e se você considerar a Páscoa uma grande festa, ainda restam quarenta dias para ela chegar. Nada de planejamento, de corre-corre, de empurra-empurra. O tempo volta a ser nosso.

Por isso respondo, com um sorriso discreto, ao questionamento de meu colega:

— Vai fazer o que no fim de semana?

— Nada. Ainda bem que o ano começou.

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About the author

Sophia Bennett is an art historian and freelance writer with a passion for exploring the intersections between nature, symbolism, and artistic expression. With a background in Renaissance and modern art, Sophia enjoys uncovering the hidden meanings behind iconic works and sharing her insights with art lovers of all levels. When she’s not visiting museums or researching the latest trends in contemporary art, you can find her hiking in the countryside, always chasing the next rainbow.