Aos bons amigos

Por Vanessa Henriques

Fazer amigos é tarefa para corajosos, na minha humilde opinião. Minha timidez e baixa autoestima geralmente se juntam para uma festa em meus miolos, fazendo com que eu sempre chegue à conclusão de que essa coisa de amigos novos não é para mim.

Entre salgadinhos e refrigerante morno, meus miolos sucumbem, sem muita resistência, é verdade. Conhecer e, principalmente, se deixar conhecer são investimentos no futuro: pode te levar até um grande amigo ou até aquele colega inoportuno da firma. A estrada é uma só, e os caminhos, tortuosos.

Ao conversar com um potencial amigo pela primeira vez, é preciso prestar atenção aos sinais. Será como apaixonar-se por uma pessoa, mas diferente. Não há atração no sentido sexual da coisa, mas sim uma atração intelectual, de gostos, de experiências. Uma possibilidade gostosa se delineia em frente a nossos olhos. Nossa mente começa a divagar, a pensar em coisas que você gostaria de compartilhar com essa pessoa: uma música, um vídeo, uma poesia ou mesmo uma piada suja.

Tudo isso pode não dar em nada, mas só de saber que há uma pessoa interessante no mundo já nos deixa colocar a cabeça no travesseiro tranqüilos. Amanhã tudo pode ser diferente: essa mesma pessoa expressar uma opinião política totalmente contrária a sua, ou confessar que não gosta do seu melhor amigo. Ou pode reforçar tudo que você achou dela no dia anterior.

E não se surpreenda se um amigo desses novos, que chegam de supetão, roube a tribuna de honra daquele amigo de fé, irmão camarada. A novidade traz consigo a eletricidade, a empolgação, mas os anos se encarregam de separar o joio do trigo. Amigo bom não precisa falar com você diariamente, mas não hesita em pegar o telefone e te ligar pra contar uma boa anedota.

E os que ligam diariamente são igualmente importantes: ajudam o dia a passar mais rápido, ouvem nossas reclamações momentâneas e nos raptam do domínio da rotina. Por isso sentimos tanta falta deles quando, sem querer, eles não têm mais tempo para certas coisas. Ficamos chateados e até birrentos, para no menor sinal de reaproximação admitir, bem baixinho, que sentimos muito a sua falta.

 Difícil, infelizmente, é arranjar tempo para cuidar de tantos tipos de amigos – e ainda cultivar novos! De tempos em tempos é bom que se faça uma devassa no caderninho de telefone (ou na agenda do celular, para os modernos) e lembre-se daqueles que nos agüentaram nas mais diversas situações, boas ou ruins, cômicas ou trágicas, difíceis ou banais.

Aproveito esse espaço, então, para dar um salve a todos os amigos que cruzaram e que vão cruzar minha vida: os antigos, os jurássicos, os novos, os potenciais e os por vir. A memória pode ser fraca, mas o coração é grande.

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2 thoughts on “Aos bons amigos

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