Por Vanessa Henriques
“Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada” cantava Gal Costa, com suas madeixas mais do que emblemáticas. A sociedade está obcecada com seus cabelos, e não é de hoje. É tanta parafernália que encontramos nas prateleiras das farmácias e mercados que fica difícil saber por onde começar.
Às vezes fico tentando me lembrar de quando começou esse zelo excessivo pelos cabelos, traduzido nessa quantidade absurda de produtos nas prateleiras. Imagino que tenha sido entre uma vaga lembrança que carrego em minha memória, quando meu pai ainda lavava o cabelo com sabonete e nossa prateleirinha de xampus contava com dois frascos, e a atualidade — adianto que foi preciso comprar outra prateleira.
Naquela época xampu era Aquamarine e condicionador Neutrox. Lembro-me do lançamento do Seda Ceramidas, que prometia fazer tudo que o Aquamarine já fazia e mais um pouco. Depois veio o Seda Hidraloe, especial para cabelos cacheados, o que me deixava toda orgulhosa por ter um produto especial para o meu tipo de cabelo.
Deve ter sido nessa época também que surgiu essa moda de tipo de cabelo, e a necessidade de um produto específico para cada um deles. Incrível que nunca compartilhamos o tipo de cabelo com o companheiro de banheiro, o que contribui para a proliferação de prateleiras e arranjos improvisados.
Como vivemos tanto tempo sem todas essas particularidades capilares? Como deve ter sido difícil para o Sansão cuidar de seus longos cabelos sem o creme para pentear adequado, não é mesmo? E o Super-Homem, como acertava seu cachinho sem um bom ativador de cachos?
Toda essa nostalgia bateu quando vi na farmácia o bom e velho Neutrox à venda. Como não podia deixar de ser, ele continua barato, eficiente e cheiroso. Na embalagem, em destaque: “Para todos os tipos de cabelo”.
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