Primeira

Por Vanessa Henriques

Às vezes me pego pensando na primeira vez que fiz alguma coisa, ou a primeira vez que entrei em algum lugar. Costumo me lembrar do trote na faculdade, do primeiro dia no meu emprego atual, e talvez em um anterior, e até mesmo o dia que saí pela primeira vez com o namorado — que, obviamente, não era namorado naquele momento.

Hoje quis lembrar a primeira vez que me dispus a escrever uma crônica. Adianto que não foi de caso pensado, apesar de ter alguma afinidade com as palavras. No dia anterior havia ocorrido uma situação engraçada, e eu decidi contá-la direto para o papel. Foi assim que saiu a primeira, ‘Caiu na rede’.

Essa foi a crônica mais fácil que eu escrevi, ou ao menos que eu me lembro de ter escrito. As palavras correram fácil, e em alguns minutos escrevi o texto. Gostei. Mostrei para o agora namorado e para minha irmã, e recebi um reconfortante apoio.

A partir daí, tudo ficou mais fácil. Assim como depois do primeiro telefonema atendido no trabalho, ou do primeiro beijo trocado. Não que tudo que eu escrevi depois tenha sido rápido, fluido, e me deixado completamente satisfeita. Muito pelo contrário!

Mas esse pontapé foi dado, e fiquei mais à vontade para continuar. Quando virou rotina, decidi que deveria publicar esses textos, afinal do que adianta guardá-los em uma gaveta? Seria muito mais fácil, me deixaria muito mais tranquila, mas também restaria aquela dúvida… E se eu tivesse tido coragem de levar essa ideia adiante?

Depois de muita insistência, resolvi levar essa história adiante, e assim nasceu o croniquices. Por algum tempo o blog vagou no vazio cibernético, pois não tinha coragem de divulgar o endereço. Finalmente venci esse bloqueio, e cá estamos.

Assim como as primeiras vezes de tantas coisas, esta é uma delas que eu recordo com carinho. E confesso que mantenho o frio na barriga dos primeiros dias toda vez que posto um novo texto. Será que eles vão gostar? Será que alguém vai ler? Comentar?

Proponho, portanto, um brinde às primeiras vezes e todas as suas faces atormentantes: o frio na barriga, o suor na palma das mãos, o rosado nas bochechas e o coração acelerado. Elas fazem nossa vida mais interessante e emocionante, mesmo que só nos demos conta disso depois que elas se foram.

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2 thoughts on “Primeira

  1. Ah… a primeira vez. Interessante tenho dúvidas; emocionante ao excesso, certamente traumática. E a cada trauma, a crescente ansiedade por uma segunda vez que seja uma “primeira vez” sem surpresas ou frustrações. Nunca é. De repente, um susto: analisa-se os instantes da vida e percebe-se que cada instante no mundo é uma primeira vez. Surgem as contas que pretendem mitigar os efeitos da primeira vez. Logo as contas tomam conta do processo e a primeira vez se torna um tormento que sequer se realiza. O espírito aprisionado pela primeira vez só se liberta na melancólica segurança da solidão. Vivo a esperança de que a primeira vez compra seu destino e se torne libertária depois que deixa ser ela própria, para se tornar uma vitória.

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