Rubrica

Sem título

Há pessoas que possuem iniciais sonoras, gráficas e até mesmo poéticas. E elas se expressam com maestria na hora da assinatura do nome, seja na versão em letra cursiva, de forma e até mesmo na forma de rabiscos.

Nunca tive a felicidade de pertencer a este time. Não que eu tenha problemas com meu nome — apesar de que poderia passar bem sem algumas piadinhas sobre o Roque… —, mas as iniciais simplesmente não conversam: V R H. A ausência de vogal, a aparência esdrúxula das letras, o ‘h’ no final, é tudo um desastre!

Quando criança passei muitos dias (tempo de criança é diferente) pensando em como seria minha assinatura. Inspirada pelo ‘A’ indefectível de meu pai, saí em busca da assinatura perfeita, tentando encontrar harmonia entre três letras tão distintas. Eis que até hoje é possível encontrar anotações em cadernos e apostilas da escola com a minha tão sonhada assinatura: uma combinação questionável de V, R e H, na qual o final de cada letra puxava a próxima.

Esse garrancho desajeitado era minha assinatura do mundo adulto, aquela que eu gastava em meus escritos e cheques do Banco Nacional emitidos pelo Parque da Mônica. Era minha tentativa de entrar neste mundo que não era meu, no qual as pessoas se identificavam por uma letra ou um traço, e não pelo nome completo, pelo nome do pai e da mãe ou pelo da professora.

Com o passar do tempo, me arrisquei a reproduzir aquele ‘H’ empolado, digno de início de capítulo de conto de fadas. O ‘H’ até saiu, mas o ‘V’ e o ‘R’ não acompanharam tanta pompa e circunstância.

O fato é que eu cresci e deixei de pensar nisso, e aceitei o destino de ser uma pessoa sem uma assinatura marcante. Fazia sentido: eu, que nunca quis chamar atenção, porque teria uma marca registrada? Apesar de me sentir meio gauche nessa vida, tudo se encaixava.

E para ser mais sem graça ainda, o meu visto é um simples ‘V’, de Vanessa. Já recebi muitos olhares desconfiados de quem me pediu “um vistinho” quando via o meu ‘V’, como quem diz: não é porque é visto tem que ser com ‘V’!

Mas não vou jogar a culpa na minha personalidade. Prefiro jogar a culpa em minhas iniciais pouco sonoras. Aliás, desafiaria alguém com personalidade abundante a criar uma boa assinatura com esse material. Até lá, sigo com a clássica reprodução de meu nome, com um ‘R’ mais estilizado ou um efeito itálico que vem e vai conforme o humor.

E, por via das dúvidas, não trabalho com cheque.

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8 thoughts on “Rubrica

  1. auahuah muito bom! Compartilho um pouco dessa frustração, a minha assinatura é basicamente a mesma de quando eu era criança (e a caligrafia também…). Deixo as rubricas estilosas para uma outra encarnação.

  2. Houve um tempo que eu também tentei emendar as iniciais do meu nome pra criar uma rubrica: FAO…mas nada combinava, era demorado pra escrever, acabei desistindo, hoje é somente Flávia e tá bom demais rsrs adorei o texto, me identifiquei!!! bjs

  3. É mesmo engraçado isso… Acho que todos nós, em uma época das nossas “vidas crianças” começamos a olhar para o mundo adulto e suas pobres rotinas. E aí a gente começa a prestar atenção a assuntos como assinaturas, coisa que torna os adultos tão importantes. Lembro-me do quanto eu me demorei para definir a minha. Depois me casei e achei que deveria continuar como era – era a minha assinatura, “para sempre”.

  4. Fiquei pensando no qto às vezes os nomes não combinam com as pessoas, apesar de todos os esforços dos pais em analisar nomes, comprar revistas, querer colocar nomes de avós ou de pessoas famosas e etc. Eu nunca gostei do ‘claudia’ do meu nome (dizem que é por causa da Claudia Cardinale, atriz famosa no fim dos anos 60 qdo nasci), acho sem graça e ainda por cima tem aquela revista ‘claudia’ que acho bobinha… Gostaria de ter um nome forte: Bárbara era o nome que eu queria ter…Na hora de assinar o que quer que fosse, sempre tive essa dificuldade de que você fala…acho que é falta de identificação ‘interna’ com o nome que nos deram, o que não é o seu caso, né?
    Isso vai longe rs vamos curtir o sábado que vale mais a pena! 🙂 bjs!

    1. Quando eu era pequena queria me chamar Vitória, mas hoje em dia acho tão feio esse nome, prefiro bem mais Vanessa!!! No fim vamos nos acostumando, até mesmo com ser chamada de ‘Roooque’ rs

  5. Eu tenho um A aí no nome, mas ele também não orna.. Nosso problema é o RH…. hehehe Hoje em dia entro em pânico quando pedem pra eu dar vistinho em páginas lidas. E me saio com um simples e direto: Andréia!

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