E o que você fez?

Por Vanessa Henriques

O que o Natal representa? Você deve estar pensando em presépios, nos reis magos, em como até hoje você não sabe o que é mirra, na renovação da esperança e todo o estoque natalino adquirido nas aulas da catequese. O que o mundo vê? Papai Noel, vermelho e muito, mas muito consumismo.

Até aí, tudo bem. Sempre foi assim, uns veem o espírito cristão da coisa, outros o espírito capitalista. E a maioria tenta equilibrar esses dois lados conforme o agrupamento social em que se encontra, afinal, conversa de bar e de casa de avó costumam ser distintas.

Para alguns, e eu me incluo neste grupo, confesso, bate o espírito Grinch. E vocês hão de convir que o Natal é cansativo: visitas, panetones, e quando você pensa que terminou de comprar todos os presente possíveis e imagináveis vem a lembrança daquele conhecido esquecido. E de repente você se vê ao lado de outros zumbis vagando pelo shopping entupido no dia 24 de dezembro em busca de qualquer presente. Uma pena que você tenha gasto todas as suas forças intelectuais e já não consiga distinguir um panetone de um pandoro…

Gostando ou não, uma coisa era certa: a loucura que envolve o Natal nos atingia em dezembro, ou, no máximo, no final de novembro. Até lá caminhávamos à toa por aí, e não gastávamos o pouco tempo livre que nos restava com listas e visitas ao shopping. Íamos ao mercado, procurávamos o maior peru, e pronto, estava tudo minimamente encaminhado.

Mas um mês de loucura era pouco. A segunda quinzena de novembro foi feita refém, e nos acostumamos às luzinhas pipocando aqui e ali nessa época. Ainda era pouco: novembro sucumbiu e, neste ano, a segunda quinzena de outubro também foi cooptada. Já era Natal antes do dia das crianças, para desespero dos pais.

Se ninguém se constrange muito em adiantar o Natal, proponho que adiantemos outros feriados, mais agradáveis e descomplicados. Nenhum que envolva troca de presentes, é claro. Podíamos adiantar a Independência, garantindo o tão esperado feriado em agosto. Ou fazer a sonhada ponte Ano Novo-Carnaval, oficializando uma prática um tanto comum por essas bandas.

Infelizmente, só o Natal tem esse privilégio hoje em dia. Resta a nós traçar a melhor estratégia para sobreviver a ele. Comprar presentes antecipados, não comprar presentes, comprar o mesmo presente pra todo mundo, qualquer uma! E haja paciência para aguentar três meses de ‘Jingle Bells’…

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One thought on “E o que você fez?

  1. Acho que essa autora precisa de uma dose extra de espírito natalino! Menina-Grinch! Brincadeiras à parte, é fato que adiantaram muito o Natal este ano, sem contar outras “oficializações” como a promovida pela Sadia em sua “ceia de montagem da árvore”…

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