Quedê?

Por Vanessa Henriques

Essa semana não tem crônica. Aliás, essa semana seria coroada com uma crônica muito boa, com um tema que me ocorreu de forma inusitada, a qual já estava praticamente escrita em minha cabeça, só faltou o tempo de sentar-me em frente ao computador — ou mesmo buscar um lápis e uma folha de papel. Seria leve na medida, provocaria empatia, com sorte renderia um desenho.

Você leu bem, a semana seria coroada com essa crônica, mas não será mais. Se você acredita em Lei de Murphy não terá grandes problemas em entender que eu, obviamente, esqueci completamente qual era esse tema. Demorei mais tempo tentando resgatá-lo das teias de aranha da memória do que demorei para idealizá-lo. Dei telefonemas esquizofrênicos do tipo “você lembra que eu falei que aquilo lá rendia uma crônica?” e, ao ouvir uma negativa, indaguei “será então que eu só pensei?”…

Aí ficou mais difícil ainda. Como resgatar a minha ideia, perdida nesse labirinto chamado memória, me esperando num canto, aflita, sem saber se chegarei até ela? Mais difícil ainda é conseguir superar a perda de uma crônica que seria leve na medida, provocaria empatia e até mesmo um desenho colorido!

Então recorro ao recurso fraco — ainda que válido — de divagar sobre essas ideias que saem por aí fugidas nos deixando de cabelo em pé, e peço desculpas ao leitor por não entregar a crônica que gostaria. Mas ele há de se compadecer dessa criatura que anda por aí tentando refazer a cena do momento que teve a bendita da ideia, como se ideia tivesse local de nascimento, RG e CPF.

Talvez um dia a encontre meio velha, empoeirada, no canto do sofá. Poderá me salvar numa semana pouco criativa, ou me fazer rir (ou chorar, depende do meu humor) ao perceber que a crônica que havia idealizado tanto não passava de um texto chinfrim. Posso também encontrá-la na boca de outro cronista, e me indignarei por não a ter encontrado antes dele (“ladrão de ideias!”, direi num arroubo).

Ou, na pior das hipóteses, dou por desaparecida. E tudo que restará serão essas linhas. O leitor desculpe, mas sabe como é, acontece com todo mundo.

 

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4 thoughts on “Quedê?

  1. Está desculpada! Mas, de vez em quando, remexa as gavetinhas de sua memória e um dia encontrará a sua crônica. Às vezes elas ficam lá, esperando o dia de alçarem o tão esperado vôo (com acento porque é mais bonitinho). Beijo.

  2. Só o fato de vc esquecer a idéia para uma próxima crônica, já rendeu uma ótima crônica…não ficamos desamparados rs bjs

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