Saúde pra dar e vender

Por Vanessa Henriques

Há, hoje em dia, uma patrulha do uso do papel (estou um pouco obcecada com o assunto, peço que o leitor perdoe). Em qualquer banheiro que você vá, se depara com mil recomendações — use 1 folha, preserve o meio ambiente, adote um coala — e fica até envergonhado de usar uns quadradinhos a mais.

Mas o assunto aqui é sério. Vamos falar de saúde — ou como certas coisas acabam com ela. Já faz um tempo que os planos de saúde não dão mais aquele livrinho com a lista de todos os médicos que atendem seu convênio. Gasto à toa de papel, eles dizem, afinal você pode consultar tudo no site e, além disso, desta maneira é mais fácil manter a informação o mais atualizada possível.

E quem não tem Internet? Minha avó, por exemplo, vai até a sede do convênio, e lá uma atendente imprime pra ela a lista de opções de cardiologistas na zona sul. Não muito prático, mas pense na barbaridade em fornecer um livro para todas as velhinhas desconectadas. Inimaginável.

Para quem consegue acessar o site, a vida não é exatamente mais fácil. A busca é sempre eficientíssima: em nenhuma das muitas tentativas ele entendeu que eu queria os oftalmologistas da Lapa ou proximidades. E, não, Itaquera não é perto dali.

E a famigerada atualização das informações? Eu não sei vocês, mas depois de todo o esforço para achar algum médico na busca que, ao final, já não atende mais o convênio, tenho vontade de esganar a pessoa que matou o livrinho.

Mas tudo bem, né? A causa é nobre. Tão nobre que minha carteirinha do convênio veio em uma capa de couro (sim, eu disse couro), junto a um papel que, ao ser picado, plantado e regado, viraria uma árvore (sim, você leu direito). Como posso argumentar contra algo tão elevado? Melhor já começar a busca pelo psicólogo mais próximo…

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About the author

Sophia Bennett is an art historian and freelance writer with a passion for exploring the intersections between nature, symbolism, and artistic expression. With a background in Renaissance and modern art, Sophia enjoys uncovering the hidden meanings behind iconic works and sharing her insights with art lovers of all levels. When she’s not visiting museums or researching the latest trends in contemporary art, you can find her hiking in the countryside, always chasing the next rainbow.