Olho de vidro

Por Vanessa Henriques

                        Essa semana eu mudei meu óculos. O que significa dizer que mudei minha cara na verdade! Quem é do time dos quatro-olhos sabe a diferença que isso faz, ainda mais no meu caso, que troquei um óculos menor por um maior, desses antiguinhos que andam na moda.

                Passei o primeiro dia meio zumbi, me acostumando a uma nova forma de ver o mundo. A lente, bem maior do que a antiga, encostava nas bochechas quando eu dava risada. Já praticamente não conseguia olhar por cima da lente como antes. O encaixe no nariz é diferente do antigo. Estaria caído? Ou muito colado no rosto? Vai saber.

                A vendedora me alertou na loja: é melhor fazer a lente de R$500, uma mais barata pode distorcer o tamanho do seu olho. “Ótimo, já tenho olho pequeno, agora ele vai ficar perdido no meio de tanta lente, num vazio branco das bochechas”. Mas, olhando bem… “ela disse que aumentava ou diminuía? Porque acho que ele tá maior…”

                O mais engraçado é notar como tudo isso só faz sentido na cabeça e nos olhos (míopes e astigmatizados) de quem carrega os óculos. Quem está ali, na sua frente, te encarando com esse objeto enorme e potencialmente torto no seu rosto, muitas vezes nem repara que você mudou de armação. Isso quando não vêem com o matador “você sempre usou óculos?”.

                E, como não poderia deixar de ser, quando da chegada no novo óculos, aquele que você passou semanas namorando, aborreceu seu namorado, amiga, mãe e papagaio nas 2 horas que passou na ótica escolhendo, finalmente fica pronto, bate aquela saudade do antigo. Não é para menos: não há nada que passe mais tempo com você. Nem o namorado, nem a amiga e muito menos o papagaio.

                Mas eu acho é bom mudar de olhos de vez em quando — ou ao menos mudar a moldura deles. Para essa nova fase, adotei um modelo verde, cor da esperança. Espero que notem!

Anúncios

3 thoughts on “Olho de vidro

  1. Não me considero consumista – não mesmo. Aliás, graças a mim o mundo tal como vivemos será uma ruína em muito pouco tempo. Mas frente a uma vitrine de óculos, devo dizer, perco a compostura. Ainda sonho com o dia em que eu, Imperador do Mundo, dono de muita coisa e todo o resto, terei divisas para comprar 7 óculos: um para cada dia da semana. E mais 3, para dias ensolarados, nublados e chuvosos. E mais um, para dias comemorativos. Fora aqueles outros dois: um para dias felizes e outro para dias tristes.
    Mas, devo dizer: feliz de você que pode ter um óculos cool. Da última vez que fui comprar óculos, ouvi que eu tinha m rosto muito fino, um queixo estreito, um nariz inapto e uma cara muito clichê para modernidades. Mas comprei, orgulhosamente, meus óculos. Na 27a aparição pública (quando alguém se dignificou a perceber), tive de escutar: “Eu preferia o antigo.”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s