São Tomé

Por Vanessa Henriques (?)

 “Fala a verdade, isso aconteceu mesmo?”

            Não consigo lembrar quantas vezes ouvi essa frase desde que comecei a me embrenhar por esse mundo traiçoeiro das palavras.

“Pode ter acontecido ou não, mas será que isso é tão importante?”

“Ai, deixa de enrolar e fala logo”.

              Como dá para perceber pelo tom, geralmente esses comentários vêm daqueles que me conhecem, ou que convivem comigo no dia-a-dia. Eles conhecem minhas rotas e meus comportamentos, e podem ser classificados como leitores perigosos, que podem descobrir certos segredos e artimanhas a que se recorre quando se tem um prazo apertado e a imaginação tira férias.

             Já ouvi também:

“Por que você usou o pronome masculino se você é mulher?”

“Não fui eu, foi o meu eu lírico que escreveu”, emendei, tentando fazer graça. Recebi em troca um olhar de escárnio e pena, como quem pensa: “e cronista lá tem eu lírico?”.

      Há de ter! Afinal não é nada fácil sair por aí escrevendo sobre histórias banais que acontecem no ônibus ou conversas de fila de supermercado e assumir que foi você, mesmo, que escreveu tais besteiras.

           Mas, se vocês querem mesmo saber a verdade, eu digo. A verdade é muito chata! Muitas coisas aconteceram, outras bem que podiam ter acontecido, mas o fato é que elas nunca seriam tão boas como são no papel. Ou o contrário: são tão boas na realidade que o papel apenas tenta acercar-se, mas vê a verdade lá longe rindo da sua tentativa.

                E estou achando também essa conversa um tanto quanto discriminatória. Por acaso o pessoal fica amolando poeta para saber se é dor a dor que deveras sente? Se Pasárgada realmente existe? E se tinha mesmo uma pedra no meio do caminho?

                Pois aqui está o texto da semana, totalmente baseado em fatos reais e comprometido com a verdade. Acreditem se quiser!

Respostas

  1. Autoria duvidosa, sem dúvida. Careço de mais dados amostrais para certificar-me que você é você.

  2. Eu, pelo contrário, tenho certeza que é você mesmo comentando! 🙂

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About the author

Sophia Bennett is an art historian and freelance writer with a passion for exploring the intersections between nature, symbolism, and artistic expression. With a background in Renaissance and modern art, Sophia enjoys uncovering the hidden meanings behind iconic works and sharing her insights with art lovers of all levels. When she’s not visiting museums or researching the latest trends in contemporary art, you can find her hiking in the countryside, always chasing the next rainbow.