HENRIQUES, 2015

Por Henriques, V.

                Não, eu não desisti de escrever. Aliás, tudo que andei fazendo nas últimas semanas foi escrever, mas não foram crônicas. Depois de meses lutando contra as regras da ABNT, os espaçamentos, as margens, as bolinhas que compõem o caminho até o número da página no sumário (sério, isso só pode ter sido invenção do demônio) e os espaços que desapareciam magicamente ao abrir o arquivo em diferentes computadores, finalmente terminei a minha monografia.

                Enquanto avançava pelos círculos do inferno de Dante, tudo que conseguia pensar era: eu me meti nessa sozinha. Por livre e espontânea vontade. “Vai ser bom fazer um trabalho”. “Eu não fiz TCC no final da faculdade, preciso aprender a fazer”. “Pode ser uma ponte para o mestrado”. Encontre o erro nessas frases.

                Eu gosto de estudar. Ou, ao menos, eu acho que gosto. Na real, eu nunca fiz nada muito diferente da minha vida, logo, acho que estudar é o que eu sei fazer melhor — e mesmo assim, não sou lá muito boa nisso. Só que essa não é uma relação pacífica: tem dia que é tudo que eu quero fazer. Outros, eu só quero me libertar das leituras, escrituras e compromisso acadêmicos e assistir a toda uma temporada de Keeping up with the Kardashians.

                Até aí, tudo bem, nem todo mundo tem uma relação estável com as coisas que gosta ou desgosta. Mas descobri uma coisa curiosa nesse aprendizado, que tem muito a ver com a criação desse blog. Escrever crônicas não só mudou minha percepção sobre os episódios e sentimentos do cotidiano, como também afetou a minha escrita acadêmica.

                Tá certo que o meu trabalho não era lá muito formal, mas não deixava de ser teórico. Fui analisar os motivos para permanecer ou passar na cidade de São Paulo, com destaque para o papel exercido pelos bancos (de sentar) nesta escolha. Ainda que em meio a muitas citações, notas de rodapé e recuos, algo já não era mais o mesmo. A crônica esteve ali, não tinha jeito. Só que ali não era lugar dela — quer dizer, veremos o que o orientador acha, o veredicto ainda está por vir —, e fiquei preocupada por estar me desviando do caminho. Era para ser uma monografia, um trabalho formal, acadêmico e, sejamos sinceros, chato.

                E agora, ironia das ironias, a monografia invadiu a crônica. Mas tudo bem, serviu para passar o recado: estou voltando.

 

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2 thoughts on “HENRIQUES, 2015

  1. Ieiii!!! A parte que eu mais gostei foi “estou voltando”, mas valeria depois postar a crônica, digo, monografia aqui também. =)

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