Tá chegando?

Por Andréia e Vanessa Henriques

A pessoa te vê ali, dando sopa, cara de simpática, jeito de entendida, e já aperta o gatilho: moça, me dá uma informação? Quem negaria uma informação? “Claro”, e abro um sorriso prestativo. Eu sempre fui boa de caminhos, de lembrar nomes de ruas. Pode mandar. Ela manda, e aí eu me lembro da triste verdade.

Não sei porque, mas tenho pânico de dar informações para pessoas na rua. Às vezes me pedem a informação mais simples do mundo, mas eu dou um jeito de complicar e explicar de um jeito estranho. Sem contar que sempre paro por uns segundos (ou minutos?) pra decidir na minha cabeça se aquela rua é à direita ou esquerda.

Já teve uma vez que mandei uma família de estrangeiros fazer baldeação na Sé e pegar a linha vermelha do metrô, quando na verdade eles só precisavam ficar ali na linha azul, bonitinhos. Outro dia uma gringa me perguntou, perto da Alameda Campinas, como se chegava no shopping Paulista. Era só ir reto, straight ahead!! Mas não sei se ela entendeu meu inglês e minhas complicações. E ainda falei que eram uns 20 minutos de caminhada. Que mentira, em 10 ela já estaria dentro do shopping e tomando um café!

Sem contar que eu fiquei a noite TODA me martirizando imaginando se ela tinha conseguido chegar… Quase fui com ela, “deixa que eu te levo até lá”, mas achei que ela ia me achar estranha e fugir. Mas não saiu da minha cabeça: será que quando ela chegou na Brigadeiro Luiz Antonio, onde o pedestre tem que entrar um pouco na avenida para atravessar, ela entendeu que era pra seguir em frente? Ou ela achou que o shopping já estaria ali, à direita? Não, pera, esquerda!

Pior é que geralmente eu gosto de dar informação, de dizer o melhor caminho. Afinal, sou uma das poucas pessoas da minha idade que ainda não se rendeu ao GPS. Costumo me gabar da minha erudição para caminhos de ônibus: afinal, não tem como ficar mal na fita ao enunciar o número da linha “pegue o 607-C e desça no ponto depois do cruzamento. Não tem o que errar”.

Mas o fator surpresa sempre me pega de jeito. Tanto que hoje em dia evito dar informações mais elaboradas. “Estou na Paulista, onde é a Augusta?” Não sei moça, pergunta pro motorista. Acredite, é melhor!

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