Ideias para quem precisa?

Por Vanessa Henriques

bloquinho

Carrego comigo um caderninho para anotar as minhas melhores ideias, destas que se vão tão rápido quanto veem se você não tiver lápis e papel à mão. Por vezes, é fato, falta um lápis ou uma caneta, mas ele está sempre lá, firme e forte, no fundo da mochila. Afinal, qualquer dia é um bom dia para se inspirar.

Esse já deve ser o segundo ou terceiro caderninho que uso, e cada um tem uma origem diferente. Alguns eu comprei, outros eu ganhei (desde que comecei este blog otimizei o número de presentes desta natureza) e alguns são desses de propaganda. O atual compõe este terceiro time, e na capa tá lá: Anote aqui suas melhores ideias!

Ora, não tenho lá muitas ideias, e agora as minhas melhores estão fadadas a parar num punhado de folhas dado por uma indústria de atum? Ele é um pouco pretensioso, eu sei, mas ele tem boas folhas e uma ótima receita de risoto de mexilhões ao vinho branco — que eu, claro, nunca testei.

Ao folhear suas primeiras páginas, vi que a coisa não começou assim tão poética. O utilizei para fazer anotações confusas em uma viagem, com direito aos preços de um batom e um dicionário incrível que comprei em outra moeda (jamais lembrarei qual é essa conversão!). Nisso segue a contabilidade desta viagem, que começa muito regrada no “Dia 01” e já termina confusa e cheia de exclamações no “Dia 04”.

                Algumas folhas adiante vem a indicação: armário Casas Bahia – 2 portas, 1 gav, R$399,00, seguido do desenho com sua metragem. Não me lembro bem deste dia, mas tenho certeza que não comprei nenhum guarda-roupa nas Casas Bahia. Sigo adiante.

Aí sim, começa a magia: folhas e mais folhas com sugestões de temas para crônicas — ainda que com algumas interrupções como “comprar pão” e outros preços de batom. Alguns temas vem com o peso da obrigação, em listas cravadas, quase que me obrigando a pensar em algumtemapelamordedeusjáfaztrêssemanasquenãopubliconada.

Outras saem fácil, como se eu estivesse com o computador em mãos, com começo meio e fim. Divirto-me vendo que algumas foram publicadas assim, quase integralmente, enquanto outras mudaram tanto que me questiono se essa foi mesmo a ideia original.

Torço o nariz para outras, plenamente desenvolvidas mas que, por algum motivo desconhecido, ainda me provocam náuseas. Talvez num mês mais complicado elas ganhem espaço. Essa era uma delas, veremos o resultado final.

Talvez não estejam aqui as minhas melhores ideias, muito menos as minhas melhores receitas com frutos do mar. Mas a julgar pela bagunça dos pensamentos, parece mesmo algo muito meu. Não seria nosso cérebro um grande caderno de melhores ideias mas que, ao fim e ao cabo, não passam de um amontoado de fragmentos desconexos e alguns preços de batons?

Longe de mim responder essa pergunta. Só sei que tenho que continuar preenchendo essas folhas, senão terei que voltar pras ideias que ficaram aqui mofando esperando seu lugar ao sol. Quem sabe me arrisco no risoto, e assim volto a ter história para contar?

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