Ora, sacolas

Por Vanessa Henriques

Se você mora em São Paulo (e mesmo quem não mora) sabe que há algum tempo as sacolinhas plásticas comuns foram substituídas por duas versões (verde e cinza) maiores e mais resistentes e mais tudo. Tudo isso pela bagatela de oito centavos cada.

Não vou entrar no mérito de que as sacolinhas, que servem para absolutamente tudo, viraram do dia para noite vilãs do aquecimento global e, para isso, a associação dos supermercados, muito preocupada com questões assim (cof cof) apoiou a substituição por uma sacola mais tudo e, vejam só, pagas. Ok, talvez eu tenha entrado um pouco no mérito.

CHARGE-JEAN-002

Mas o meu desabafo (hoje é desabafo, pre-para) é outro. O motivo é nobre, quero saber se o leitor tem a mesma dificuldade que eu na hora de manejar as novas sacolinhas.

O primeiro quesito é a distribuição: sinto que recebo umas 8 sacolas verdes entre 10 que recebo (porque eu não pago, NUNCA, em hipótese alguma). Concordo que o lixo reciclável é volumoso e abundante, e elas têm sua serventia. Mas você pode substituir sua sacola verde por uma de papelão e, portanto, reciclável.

O lixo orgânico, que pode não ser volumoso, mas é abundante, disputa as poucas sacolas cinzas e todas as outras que não seguem essa regra. Aí começa a dúvida: é moral e socialmente aceitável usar as sacolas verdes para o lixo orgânico? Pense que eu vivo em um prédio e, portanto, minha sacolinha cinza ou verde vai para um latão que depois irá reunir todo o lixo do prédio com um saco de lixo preto, comum.

A dúvida sempre me corrói. Estaria eu atrapalhando a cadeia da reciclagem? Estaria eu levando minha revolta longe demais? Estaria eu tão desocupada a ponto de gastar tanto tempo refletindo sobre sacolas? Talvez a resposta seja sim para todas.

Na dúvida, ando mendigando sacolas cinzas nos estabelecimentos, não sem receber uma cara enfadada da atendente, que deve receber pedidos como esse a toda hora — o que provaria meu ponto do desequilíbrio de cores.

Outro ponto é o tamanho. É muito bom que a sacola que custa R$0,08 seja enorme quando você sai do mercado carregando nela desde produto de limpeza até banana só para não pagar por outra. Maravilhoso. Ou quando vem um pessoal tomar cerveja em lata em casa e a sacolona dá conta de tudo.

Mas não é maravilhoso quando você quer forrar um lixo minúsculo do banheiro ou quando só quer uma saculinha para colocar o guarda-chuva na bolsa. Não a toa as sacolinhas nasceram em todas as cores e formatos, e o homem as corrompeu.

Há também beleza no mundo, já nos disse uma vez a sacola do filme Beleza Americana, talvez eu deva relaxar e dançar conforme a música. Mas por ora, busco companhia na minha loucura. Alguém acompanha?

Charge de Jean Galvão, disponível em: http://www.idadecerta.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/CHARGE-JEAN-002.png 

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