Mascotes, brindes e sofás

Por Vanessa Henriques

Hoje começam as olimpíadas. E tal qual a tocha, o espírito olímpico veio invadindo, aos poucos, minha memória. Parece fácil refazer o nosso percurso de quatro em quatro anos, mas o exercício se mostrou uma verdadeira corrida de obstáculos.

Esta será minha sétima olimpíada, ainda que as lembranças remontem apenas a partir da sexta (desculpa, Cobi). E é uma lembrança pouco atlética: de brincar com umas bolas promocionais da Coca-Cola, muito macias, representando os esportes. A minha era uma branquinha, de beisebol (não que eu soubesse disso na época), mas o sonho de consumo era a de futebol, dada à minha irmã mais velha — que era a maior de nós nos idos de 1996 (fosse hoje, seria minha!).

As bolas da Coca ainda vagaram pela casa por muitos Jogos, mas as lembranças se sofisticaram. Lembro-me de ver, com curiosidade, as mascotes de Sydney naqueles folhetos do Mcdonald´s (quando o mais conhecido é um ornitorrinco, fica difícil não reparar). Talvez os horários das competições não tenham sido muito amigos, já que a memória para por aí.

A estrela da festa é, sem dúvida, a olimpíada de 2004. O ano foi conturbado: estávamos de mudança mas, como os prazos não casaram, foi preciso morar por alguns meses no apartamento da minha vó. No mesmo prédio, morava meu primo, um pouco mais novo que eu. Esse ano passei a estudar de manhã, e à tarde foram inauguradas as famosas olimpíadas do sofá.

Não pense você que me refiro a assistir passivamente aos Jogos do conforto do sofá, admirando o espírito atlético. Era de fato uma modalidade: eu, minha irmã e meu primo tomávamos distância, respirávamos fundo, e saímos correndo pela sala emendando rondadas, flic flacs e twists carpados nas costas do judiado sofá das Casas Bahia. Muitas boas risadas foram dadas nesse ano, medalhista de ouro nas memórias olímpicas.

Mais um borrão se sucede em 2008: lembro-me de todos os closes do estádio ‘ninho de pássaro’, do aviãozinho de Vanderlei Cordeiro de Lima, e nada mais. De Londres, as mudanças da vida proletária — adeus olimpíadas do sofá, olá streaming! — e dá-lhe engolir as interjeições e fazer cara de quem está muito concentrada fazendo aquele inútil importantíssimo relatório.

Em 2016, as olimpíadas chegaram muito antes, lá em março. Visitei a trabalho o parque olímpico, à época meio pelado, meio inacabado. E garanti, uns meses depois, ingressos para assistir duas partidas de futebol. Chuto que esses Jogos serão mais inesquecíveis. O sofá novo não aguenta muitas piruetas, mas prevejo um pódio.

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