Pintando o 7 (às 5 pras 7)

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Por Vanessa Henriques

Eu adoro me maquiar. Acho divertido, gosto de ver novidades, comprar novos produtos. Mas eu gosto também de lavar a louça, estender as roupas no varal, limpar o banheiro, trocar os lençóis. O que uma coisa tem a ver com as outras? Não sei bem, só sei que por causa delas, sempre me sobram aproximadamente 30 segundos para eu me maquiar antes de sair para o trabalho.

O problema é que não sei dosar o tempo, e como tenho hiperatividade matinal (tá mais para hiper sem-noção matinal, mas isso não vem ao caso) vou adicionando cada vez mais atividades na já curta manhã. O resultado é sempre ruim pro visual — o meu, no caso, já que a casa leva a melhor.

E aí dá-lhe o pretinho básico: uma camada de rímel, o mesmo batom cor de boca que usei nos últimos cinco dias, e vamos pra rua se sentindo pelo menos apresentável. E aquele estojo de sombra ou o lápis a prova d´água escolhidos com tanto esmero vão indo cada vez mais pro fundo da gaveta, a procura de alguma “ocasião especial”.

Essa ocasião dificilmente chega, já aviso, por um motivo muito simples: maquiagem é prática. Se você não usar o delineador toda semana, não vai conseguir fazer um traço perfeito em menos de dez minutos antes de sair para uma festa (pior que a gente tenta!). E aí, não mais que de repente, um dia você abre a gaveta e descobre um produto com a embalagem intacta e vencido, porque a tal ocasião simplesmente não veio, ou quando veio, você não deu conta.

Triste? Nem tanto. Fico mais triste quando percebo que não estou sozinha na falta de tempo, mas me isolo no quesito falta de prática. Quantas vezes não peguei o ônibus ou o metrô de manhã e vi alguma mulher tirando da bolsa uma nécessaire enorme, e aos poucos se maquiando com tranquilidade, ignorando os solavancos das lombadas? E não pensem que elas fazem só o combo rímel + batom não. Elas passam base, pó, e até (sim, acredite) delineador.

Juro que toda vez que vejo essa cena tenho vontade de me levantar, ir até a vencedora e falar: você tá de parabéns, quando crescer quero ser igual a você. Enquanto não cresço, me viro pro lado na poltrona, tiro um cochilo, e aproveito para me recuperar da correria da manhã. Mas as minhas panelas estão brilhando, vocês precisam ver.

Resposta

  1. Hahaha, agora conta: quando tem uma maquiagem vencida que você não usou, você joga fora ou resolve dar uma chance?
    Parabéns pelo domínio .com.br! Vai valorizar o Croniquices junto com iniciativas como a parceria anunciada!

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About the author

Sophia Bennett is an art historian and freelance writer with a passion for exploring the intersections between nature, symbolism, and artistic expression. With a background in Renaissance and modern art, Sophia enjoys uncovering the hidden meanings behind iconic works and sharing her insights with art lovers of all levels. When she’s not visiting museums or researching the latest trends in contemporary art, you can find her hiking in the countryside, always chasing the next rainbow.