Terçapêuticas

Por Vanessa Henriques

Hoje é terça-feira, dia de terapia. Eu não escolhi exatamente esse dia da semana, mas era o único horário que cabia na rotina e, no fim, acabei me acostumando. Tenho uma amiga que faz terapia às segundas logo de manhã, antes do trabalho. Invejo a coragem, mas tenho certeza que no lugar dela já teria desistido.

E não pense que o problema é o horário, ou o fato de ser antes do trabalho. É por ser na segunda-feira mesmo. Além de um dia com tendências naturalmente depressivas, isso significa que se precisar resolver algo em horário comercial, você tem até sexta-feira à tarde (no mais tardar, sábado de manhã) para resolver a vida.

Não tem como dar aquele pulo do gato na segunda à noite ou mesmo durante a terça-feira, como é o meu caso. Explico: inexplicavelmente (ou talvez muito facilmente de explicar, mas isso deixo pra terapeuta) sinto, toda terça-feira, uma necessidade incontrolável de resolver a vida. Sim, a última sessão foi terça passada, aí teve aquele aniversário, no outro dia estava cansada, e depois precisei fazer janta e pronto: passou a semana.

O que vou falar pra terapeuta diante das zero coisas resolvidas? Não dá. É preciso reverter esta situação. Revejo listas. Faço telefonemas. Retomo a academia. Reflito, no banheiro do trabalho, sobre minha infância. Marco consultas médicas. Escrevo crônicas. Adianto o trabalho. Como comida saudável. Escrevo para os amigos. Ligo para a avó.

Talvez a terapia não tenha trazido lá grandes mudanças na minha vida. Mas só o efeito psicológico dessas terças-feiras tem feito uma baita diferença. Ao fim da maratona preparo uma pauta imaginária (que geralmente não dá lá muito certo), respiro fundo, e encaro a sessão.

Saio de lá com mais tarefas — de ordem prática, espiritual, ou reflexiva, escolha a que quiser—, que prometo cumprir com rigorosidade espartana, mas no fundo já sei que, na pior das hipóteses, sempre teremos as terças-feiras.

A tarefa da última semana era escrever um texto. Matei agora, às seis da tarde, dois itens da minha lista: texto terapia e primeira crônica do ano. Resolvo mais algumas coisinhas, vou para a sessão e em seguida ingresso, quase sem culpa, num resto de semana de procrastinação. Terça recomeço. 

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