Não sou um robô

Por Vanessa Henriques

Parece meio óbvio, mas atualmente tem sido necessário reafirmar isto. Sou capaz de decifrar caracteres embaçados (devem saber que sou humana pela demora, um robô faria isso muito mais rápido), selecionar os quadradinhos com a imagem de um carro ou uma placa ou simplesmente clicar num quadrinho “Não sou um robô”.

Lógico que há sempre uma tensão nos momentos que antecedem a confirmação de tal afirmação. E se eu não conseguir provar minha humanidade? Ou, pior, se minha incapacidade de provar que não sou um robô for a prova inconteste de minha alma carnal, já que um robô se passando por humano seria bem mais habilidoso?

E é claro que as máquinas se aproveitam para nos humilhar. Os ‘captchas’ são mais difíceis que uma consulta ao oftalmologista (É um ‘o’ ou um zero? Um ‘q’ ou um ‘g’?). Nos mandam clicar nos quadradinhos com placas de carro, e não há nenhum carro.

Na verdade, isso pouco importa. Fala-se tanto das maravilhas das redes sociais e dos comportamentos essencialmente humanos (ainda que a bestialidade apareça com mais frequência do que gostaríamos), mas daria tudo para ter um robô interagindo por mim em meios virtuais.

Um robô não enviaria solicitações de amizade para a pessoa errada, como eu fiz. Não curtiria textos pouco ortodoxos porque o dedo desproporcional esbarrou no botão. Jamais responderia a e-mails automáticos (e ainda encerrando com ‘beeeijo’). Não compartilharia notícias de 2015 achando que são atuais. E, principalmente, não se sentiria na obrigação de curtir as publicações daquela primeira amizade errada.

Já pensou em se livrar de todas as angústias que rondam a convivência social digital? As tardes seriam melhor gastas, as noites melhor dormidas, e o Facebook se tornaria um grande LinkedIn. Nada de textão ou close errado, as amizades estariam à salvo e os empregos também.

Com o aperfeiçoamento das máquinas, poderíamos ensinar outros truques aos robôs, como um que sinto falta neste instante: não tenho a menor ideia de como terminar este texto. Ele certamente saberia. Alguma dúvida de que sou humana?

 

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