Reage, mulher, tricota um cropped

Por Vanessa Henriques

Como muitas mulheres de mais de 30 anos, eu nunca liguei para croppeds. Achava uma peça infame, metade do tamanho, dobro do preço, e me irritava com a falta de opções decentes de blusas inteiras.

Passados uns 3 anos e um meme inspiracional maravilhoso, me peguei cogitando seriamente em comprar um cropped de manga comprida — uma peça absolutamente sem sentido, “como usar casaco e bermuda”, diria minha mãe. Quero acreditar que as calças de cintura alta motivaram essa mudança, só para não dar o braço a torcer de que foi a piada. 

“Reage, mulher, bota um cropped” é um tapa duplo na nossa cara de millennial: satiriza nosso pessimismo fatalista e ainda nos lembra que, gostando ou não, ainda vamos usar um cropped.

Reagindo, mas no meu ritmo (Foto: Vanessa Henriques)

Embaladas pelas redes sociais e pela certeza de que o mundo liga para o que pensamos, esquecemos que o nosso apogeu, para a lógica capitalista, já passou, e entraremos na moda a reboque. Ou seremos lembradas pelo próximo produto algoritmizado para a nossa nostalgia.

Só que ao invés de ficar ressentida, eu quero mais é abraçar a antropofagia. Quero tricotar um cropped, usar um blusão de lã velho para sair, esbanjar uma calça skinny com tênis tipo vans. Quero viver os modismos e debochar de todos eles. Quem sabe assim, encontrar minha pele.

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About the author

Sophia Bennett is an art historian and freelance writer with a passion for exploring the intersections between nature, symbolism, and artistic expression. With a background in Renaissance and modern art, Sophia enjoys uncovering the hidden meanings behind iconic works and sharing her insights with art lovers of all levels. When she’s not visiting museums or researching the latest trends in contemporary art, you can find her hiking in the countryside, always chasing the next rainbow.