Reage, mulher, tricota um cropped

Por Vanessa Henriques

Como muitas mulheres de mais de 30 anos, eu nunca liguei para croppeds. Achava uma peça infame, metade do tamanho, dobro do preço, e me irritava com a falta de opções decentes de blusas inteiras.

Passados uns 3 anos e um meme inspiracional maravilhoso, me peguei cogitando seriamente em comprar um cropped de manga comprida — uma peça absolutamente sem sentido, “como usar casaco e bermuda”, diria minha mãe. Quero acreditar que as calças de cintura alta motivaram essa mudança, só para não dar o braço a torcer de que foi a piada. 

“Reage, mulher, bota um cropped” é um tapa duplo na nossa cara de millennial: satiriza nosso pessimismo fatalista e ainda nos lembra que, gostando ou não, ainda vamos usar um cropped.

Reagindo, mas no meu ritmo (Foto: Vanessa Henriques)

Embaladas pelas redes sociais e pela certeza de que o mundo liga para o que pensamos, esquecemos que o nosso apogeu, para a lógica capitalista, já passou, e entraremos na moda a reboque. Ou seremos lembradas pelo próximo produto algoritmizado para a nossa nostalgia.

Só que ao invés de ficar ressentida, eu quero mais é abraçar a antropofagia. Quero tricotar um cropped, usar um blusão de lã velho para sair, esbanjar uma calça skinny com tênis tipo vans. Quero viver os modismos e debochar de todos eles. Quem sabe assim, encontrar minha pele.

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