Por Vanessa Henriques
Minha paixão por balanços é antiga, e já foi registrada aqui no croniquices com esse mesmo título. Voltei a encontrar um balanço, por isso volto ao assunto com a mesma constatação juvenil de que este é um dos melhores inventos já feitos — mas com o adendo de que, agora, eu já balancei de frente pro mar, o que trouxe mais uma camada de prazer à experiência.
Este novo balanço nesta Vanessa mais velha teve o mesmo efeito de antes: a alegria irresistível de voar com a segurança de cordinhas sob as mãos, os pés apontando cada vez mais alto, fazendo as vezes do motor do pêndulo que não queria que parasse jamais. Embalada pela nostalgia, revisitei a crônica, datada de 2012. A vida já me balançou tanto desde então…

Começo dizendo que meu avô, ainda não balance mais por aí, continua sacudindo seus 97 anos pela praia. Infelizmente, já não conseguimos mais conversar sobre assuntos assim triviais, mas eu espero que ele ainda se lembre do que eu me lembro, das tardes de alegria sem fim no seu quintal, do sorriso fácil em seus dentes levemente separados. Os meus, o aparelho ortodôntico corrigiu.
Não balancei nos Andes, mas tenho um marido, que me segura forte pela cordinha se necessário, e me empurra para voar alto também. Aliás, não avistei os Andes, ainda, mas a vontade permanece aqui. As pernas continuam longas, esbarrando no chão, com o adendo do crec-crec dos joelhos.
Talvez o que mais tenha mudado foi minha forma de encarar o balanço dos dias, meses e anos, com menos inocência, é verdade, mas também com mais compreensão. A subida e a descida fazem parte de um mesmo movimento, e desejar congelar um deles é acabar com a delícia do voo.
Se nos imaginamos majestosos, sentados no balanço da vida, é preciso abrir espaço para que ela ocupe sozinha este lugar. Nós estamos mais para a corda, afrouxando e apertando, sofrendo com a exposição ao tempo, quase arrebentando, e às vezes rompendo mesmo, mas seguimos sustentando, nem que seja amarrada por um nó forte.
Entre subidas, descidas, e até rodopios sem sair do lugar, vamos balançando a nossa história, indo para frente, e voltando para prosear com o nosso eu de lá de trás.
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