À procura dos gigas perdidos

Por Vanessa Henriques

Ultimamente tenho andado preocupada com meu tamanho – e não me refiro aqui à minha silhueta nem à minha altura (esta, não tem jeito). É o meu tamanho digital que anda dando dor de cabeça.

Estou sofrendo de falência múltipla de plataformas: atingi, de uma só vez, meu limite de espaço de armazenamento do celular, do e-mail e da nuvem. Dá para desconfiar de uma conspiração das grandes corporações, claro, mas eu também sou displicente no uso das minhas gavetas digitais.

O celular está mais fácil de resolver, creio eu. Basta apagar alguns memes (apaixonada pelo canarinho pistola, confesso) e fotos inúteis recebidas pelo celular – “olha, tô mandando uma foto da minha frieira!”. E não baixar mais aplicativos de jornais.

Os outros dois está mais complicado. Eu nunca criei o hábito de apagar meus e-mails, já que o Google sempre me prometeu mais espaço. Cada vez que chegava próximo ao limite, ele anunciava que eu havia ganhado mais alguns gigas de presente.

Diante desta abundância, quem vai se ligar que não é muito bom não apagar todos os e-mails do Peixe Urbano? Ou os milhões de e-mails para mim mesma, com links para ler depois, ideias desconexas de crônicas ou lembretes como COMPRAR PÃO?

E a nuvem? Ela surgiu para resolver os problemas desta vida de hardware que sempre levamos. Esqueça disquete, memória RAM, pendrive ou HD externo. Coloque na nuvem. Ainda por cima era lúdica, a desgraçada. Não é lindo imaginar todos os seus arquivos felizes, numa nuvem de dados, talvez banhados por um arco-íris?

É lindo, só faltou lembrar que neste céu Deus é onipresente e está de olho em todas as saliências das suas nuvenzinhas, um ótimo produto para vender ao Diabo. “Psiu, ela gosta de viajar. Oferece promoção de passagem para ela, é batata”. Além disso, a vista do céu é privilegiada e a especulação imobiliária está bombando. Logo, vamos começar a pagar pelo seu pedacinho de paraíso, que eu te dou uns gigazinhos de lambuja.

E para piorar, eu sei que esses não são os únicos lugares no qual salvamos todas as nossas tralhas digitais. Tem o computador de casa. Os vários pendrives espalhados por gavetas. O HD externo com backups de computadores que nem tenho mais. As fotos, meu Deus, as fotos. Estão na máquina fotográfica, no celular e espalhadas por pastas em todos os cantos.

É preciso reunir. Eu adoro uma arrumação de armário, mas devo dizer que a arrumação digital não me anima muito. Sei que levarei dias para juntar todos os arquivos num único lugar. Nem sei se vou conseguir, mas o que importa é a sensação de que estou no controle da minha vida virtual (não estou, claramente).

Eis que chega o momento de decidir. Apelo para a tangibilidade dos arquivos físicos? Ou pela praticidade da nuvem? Vendo minha vida para a Google ou para a Microsoft? É fato que o Bill Gates já está com a minha vida há mais tempo. Mas o Google nunca me fez chorar porque o computador não colaborou, a impressora pifou, e a atualização do Windows travou o notebook. Ele só vendeu meus dados sem minha permissão (ou com, quem lê as letras miúdas?), mas quem não fez isso nos últimos tempos?

O páreo foi duro, mas acabei comprando um HD externo de 2 terabytes — o novo prefixo me deu um certo conforto. Não é etéreo, mas é bonitinho e bem mais leve que uma gaveta real cheia de fotos, arquivos, livros e outras tralhas digitais. Resta saber se minha vida é deste tamanho ou se vou ter que encarar um regime.

 

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Mascotes e mascates

Por Vanessa Henriques

Constatei esta semana, com pesar, que as redes sociais estão acabando com o meu bairro. Não pense que farei aqui um retrato melodramático de pais que mandam mensagem via WhatsApp para os filhos na mesa de jantar. Nem do acirramento do fla-flu de paneleiros e mortadelas. A questão aqui é outra.

Primeiro, cabe dizer que moro na Vila Mascote. Esse bairro simpático, cheio de espigões neoclássicos e árvores, está também repleto de mascotes. Cachorros de todos os tamanhos, gatos, chinchilas e até mesmo uma barulhenta cacatua foram vistos e ouvidos por estas ruas.

Os mascotes têm pedigree e são levados para passear com regularidade. Só que — e aí começo a abordar o problema — esses passeios estão mais para uma volta zumbi pelo bairro. Pets que aguardam o dia todo por seus amados donos precisam disputar sua atenção com outros pets mimados o dia todo: os celulares.

E dá-lhe cachorrões enormes, afoitos, passeando no passo do elefantinho enquanto o dono rola a tela infinita de bobagens no Facebook. Não aprecia, assim, as varandas envidraçadas, as calçadas apertadas e batizadas, e todo o ar de refinamento da prima modesta de Moema.

O ar despojado e conectado dos moradores leva a um segundo problema: os estabelecimentos comerciais. Sou afeita a um bom comércio local. Vou a inauguração de supermercado, tomo café em todas as padarias, prestigio todos os eventos sociais — à exceção da infame passeata pela paz que acabou sendo interrompida por um roubo.

Mas nesses 3 anos vivendo entre mascotes, ainda restam estabelecimentos desconhecidos. Não de minha parte. Posso ser fácil de se ver por aí, mas gosto de ser conquistada. Uma boa panfletagem, carro de som na rua, distribuição de pipoca, quem não gosta?

Eis que num dia qualquer o celular vibra na mesa. A pizzaria da rua de baixo, na frente da qual eu já passei mil vezes, me pede para adicioná-la no Instagram. A mesma pizzaria sem placa na fachada, a mesma que nunca me deu um ímã de geladeira. A que nunca encartou um cardápio no meu jornal ou deixou um panfleto na caixinha de correspondência.

Passada a revolta inicial, veio a dúvida: como eles sabem que eu moro no bairro? Rodei minhas curtidas e descobri: eu tinha começado a seguir há algumas semanas o perfil do salão de cabeleireiro que frequento. Eles são capazes de me achar assim, mas não me cortejam quando eu passo na calçada.

Restava decidir. Por que eu ficaria vendo fotos de pizzas que nunca consumi na minha timeline? Ficaria igual a tantos outros mascotes, esperando pela volta que nunca vem? Ou deveria me render ao mundo digital e tentar espiar se o bendito telefone e cardápio estão na descrição da bio?

Não me rendi. Se não me deu brinde quando eu tava na rua, não vem tentar ser meu seguidor. Deixei de seguir o salão e desativei o GPS e qualquer indicação de que moro ali. Na rua, eu gosto mesmo é de passear sem coleira. 

Tigela é tudo de bowl

Por Vanessa Henriques

Promoção: bowl a R$39,99, dizia o anúncio indesejado num despretensioso rolar de dedos no Instagram. Nas lojas: bowls. No programa de receita: bowls. No armário: bowls.

Todo dia é um 7×1 diferente, diria Sérgio Rodrigues. Antonio Prata diria que não é sobre o utensílio em si, é sobre a reflexão. E eu que não sou lá tão famosa e versada na arte das letras tenho, infelizmente, mais uma contribuição a fazer neste debate sobre expressões roubadas da gringa.

Vasilha, recipiente, cumbuca — e toda uma infinidade de combinações graciosas com o diminutivo tão característico do nosso português (potinho, tigelinha) — me vêm à cabeça. Parece um crime achar que uma palavra com uma improvável combinação de ‘w’ e ‘l’ poderia colar nesse português cheio de vogais. Colou. O bowl é fato consumado.

Devo dar o braço a torcer que eles foram espertos nessa escolha. Pode-se falar ‘bou’ e passar sem constrangimentos pelo termo em inglês. O delivery, muito mais espinhoso, demorou mas colou. Imagina se essa quase onomatopeia não iria conseguir?

Tudo começa com uma mudança de mentalidade — ou mindset, pra você que é proprietário de um bowl na sua american kitchen. Por anos, a referência culinária do brasileiro foi o livro da dona Benta e uma infinidade de programas vespertinos com alguma culinarista atrás de um balcão. De preferência, a Palmirinha.

Eis que o país foi invadido por uma enxurrada de reality shows culinários: o melhor confeiteiro, o melhor chef, o melhor cozinheiro amador, o melhor churrasqueiro, a melhor criança cozinheira e uma infinidade de variações. Ao invés da bancada antiquada e um boneco de espuma, vemos bancadas em aço inox, gôndolas high-tech, geladeiras que gelam rápido, fornos estupidamente quentes e até nitrogênio líquido.

Estava preparado o terreno para o bowl. Não há espaço para uma tigela numa cozinha com essa sofisticação. E, logo, não haveria espaço também na sua casa. Ou na casa da sua mãe. Ou nas lojas Americanas. Ou no mercadinho da esquina.

O bowl não nasceu de uma tradução ruim ou caracteriza um utensílio jamais visto nos lares brasileiros, que precisaria ser nomeado desta forma. Ele é só uma moda de meia tigela.

Sereísmo no Tietê

Por Vanessa Henriques

Ando preocupada com a cidade de São Paulo. Terra de bandeirantes, tropeiros e hipsters, tem sua história ligada ao novo — com a mesma disposição para o progresso e para o provincianismo. Quem mora ou circula por aqui rapidamente percebe a inclinação da cidade para modismos passageiros, que nos arrebatam por meses, até que caem no ridículo ou no esquecimento.

No princípio, havia o cupcake. Depois o brigadeiro gourmet (e a inevitável brigaderia). Depois veio a onda latina, com a paleta mexicana e as churrerias com churros banhados a ouro (a julgar pelo preço). Os cafés descolados com móveis de madeira crua e suculentas em xícaras. A doçaria portuguesa de grife, que cobra por um doce o preço de 10 pasteis de nata vendidos no pitoresco Habib´s. Os food trucks estacionados em food parks. As hamburguerias com toque vintage. E, pra sair do campo da comida, as barbearias retrô.

Todo estes estabelecimentos, de uma forma ou de outra, me parecem com os dias contados. Se você pensa em investir em uma paleteria em pleno 2018, você perdeu a cabeça. Mas o food truck não está tão diferente assim.

Minha preocupação vem do fato de que não há ainda uma nova moda despontando — ou, ao menos, ela escapa de minha sensibilidade. Circulei por bairros como Pinheiros e Vila Madalena, mais do mesmo. Av. Paulista? Só quer saber de museus e cafés, moda antiga. Centro? Restaurantes de imigrantes lotados de branquelos com guia de jornal na mão.

Na falta de uma novidade comercial visível, passei a observar o comportamento dos paulistanos. No carnaval, que agora agita as ruas apertadas do centro e os muros de samambaia da 23 de maio, ficou clara a preferência por algumas figuras míticas como sereias e unicórnios.

Eles tiveram a capacidade de influenciar o vestuário, as cores de cabelos e os hábitos praieiros, além da culinária multicolorida que invadiu brigaderias, cafeterias e churrerias. A influência foi tanta que alguns já bradavam pelo seu natural declínio, como sói ocorrer com toda moda paulistana. Ninguém quer apostar numa entidade caída.

Acho graça nessa aura mística, mas não deixo de pensar em suas contradições. Talvez seja uma espécie de compensação, afinal não faz sentido invocar a criatura chifruda multicolorida em meio ao cinza de São Paulo. E o Tristão paulistano, onde coloca sua cauda para trabalhar? Cogita praticar sereísmo no rio Tietê?

Aguardo ansiosamente qual será a próxima figura mítica a desembarcar no planalto de Piratininga. Minha torcida é por um ícone nacional, como o saci ou o curupira (mulas sem cabeça já vemos aos montes por aí). E se abrir uma coisaria nova, também estaremos atentos.

Sem lenço, com documento

Por Vanessa Henriques

“Primeiramente de tudo, uma boa tarde a todos!”. E assim começa mais uma viagem alucinante no metrô de São Paulo. Há comércio variado nesta terra de trabalhadores: amendoins (na validade!), fones de ouvido (testa na hora), lente olho de peixe (pra não cortar ninguém na selfie) e, não menos importante, os queridos porta-documentos.

Quando vi o primeiro ambulante oferecendo porta-documentos, dei uma risada comigo mesma. Quem estaria chacoalhando no metrô, 6 horas da matina, e pararia para pensar: “caramba, não tenho um plastiquinho para o meu título eleitoral!!”.

É claro que eu estava errada. O comércio popular não falha e tem tino para os desequilíbrios de oferta e demanda. Já faz alguns meses que vejo consumidores satisfeitos adquirindo porta-documentos e encerrando uma vida desregrada.

Este é um produto que se vende sozinho. Só de ouvir o vendedor listar todos os documentos que temos que carregar por aí, o marketing está feito: RGCPFCNHTÍTULODEELEITORCERTIFICADODERESERVISTA.

E o comércio, assim como o metrô, não fica parado (só às vezes), e já evoluiu: hoje em dia é possível encontrar no shopping metrô “carteiras de couro sintético, costuradas por dentro e por fora, e com plásticos para você colocar todos os seus documentos”.

É a praticidade do porta-documento com a necessidade da carteira. É puro street style. E quem chama com R$5 não leva uma, mas duas! Preciso dizer que faz sucesso?

Há anos o metrô faz campanha contra o comércio ambulante. Mas o paulistano já se apegou demais a ele para denunciá-lo. Ele preza pela nossa fome, nosso entretenimento e, ultimamente, pelo nosso pertencimento cívico.

Tanto que outro dia ouvi um autoproclamado marreteiro pedindo dinheiro no vagão após o fiscal confiscar sua mercadoria. As pessoas contribuíram, complacentes, aguardando o retorno do pai de família ao vagão com novos produtos.

O porta-documento tem a vantagem de ser facilmente escondido do “rapa”: é leve, discreto, e cabe no bolso — o que já é uma propaganda do produto. O sucesso de vendas é garantido.

Só tem um probleminha. A TV do metrô anunciava, em letras garrafais: “Brasil terá documento único eletrônico até julho de 2018”.

Tudo bem, se tudo der errado, sempre nos restarão os amendoins.

 

 

 

 

 

Debatendo-se

Por Vanessa Henriques

Casa cheia, coffee break no capricho, aglomeração no cafézinho. Crachá no pescoço, bloquinho e caneta na mão. Abrem as portas. Cada um escolhe o melhor lugar — do lado da saída, dos amigos, do ar condicionado. Um atrasinho regulamentar. Quinze minutos, talvez vinte.

O moderador vem galante, como pede a ocasião. Dá bons-dias, boas-tardes, a palavrinha dos patrocinadores, agradece aos palestrantes e os apresenta com uma leitura extensa de currículo invejável. Os espectadores se encolhem na cadeira diante de tanta experiência. E anuncia as regras do jogo:

— Gostaria de deixar claro, desde já, como será o funcionamento deste debate. Darei dez minutos para cada palestrante falar. Todos vão estourar pelo menos 5 minutinhos, então já são 15. Como são quatro integrantes da mesa, a próxima hora será deles.

O público presta atenção, resignado.

— Nesta primeira hora, cada debatedor vai fazer mesuras aos demais componentes da mesa. Vão fazer piadas como “o fulano já disse o que eu queria falar”, para disfarçar o desconforto. A grande verdade é que todos aqui se conhecem, já trabalharam juntos algum dia, e não teremos embates ideológicos marcantes. Estão todos do mesmo lado.

O público estranhou, cochichou, mas continuou atento.

— Aí eu vou incentivar que todos enviem suas perguntas, quanto mais perguntas, melhor, queremos um debate intenso, com vários pontos de vista. Mas a verdade é que só vai restar menos de meia hora para o debate em si. Vou me afundar em um mar de papeizinhos, fazer cara de preocupação, e pedirei mil desculpas à participativa plateia por este incômodo.

O público se mexeu na cadeira, uns com raiva, outros espantados, outros no celular.

— Os sortudos que tiverem suas perguntas contempladas vão ser obrigados a ouvir as respostas dos quatro integrantes da mesa que, como disse, não discordam entre si. Talvez aproveitem para inserir algum comentário sobre sua carreira atual, o livro que está lançando, o próximo debate na agenda.

O público desconfortável, se ajeitando no assento, surpreso e até um tanto ultrajado.

— Tudo isso não será um problema, pois até lá metade já estará no Facebook, um quarto terá marcado presença e ido embora e o restante aguardará ansioso o fim do debate para comer mais pãezinhos de queijo.

O público um pouco mais calmo, metade já no celular, outros planejando a fuga. Os debatedores se entreolhavam, com sorriso amarelo e bochechas rosadas, esquecendo a fala inicial praticada no banheiro.

Bem-humorado, o moderador declarou aberto o debate. Uma parte do público bateu palmas fervorosamente. O melhor debatedor já havia feito sua introdução — em menos de dez minutos.

De pé, cansa

Por Vanessa Henriques

Já começo este texto pedindo desculpas pela prolongada ausência e pela frivolidade do tópico. No entanto, acredito que ele possa tocar os corações de leitores com escoliose, lordose, pico de papagaio ou, simplesmente, um chefe.

Escrevo estas linhas do alto (nem tanto) de uma cadeira do escritório. Ela é como todas as cadeiras de escritório: desconfortável, com regulação insuficiente e design sofrível. Cuidadosamente escolhida para o tamanho da bancada, ela me obriga a escolher entre apoiar os cotovelos em seu braço ou ficar a uma distância razoável do teclado.

O agravante fica por conta dos meus 1,75m e uso de salto (pequeno!), que me obriga a ficar com as pernas na mesma posição o dia inteiro. Some-se a isso uma escoliose e a obrigação de ficar sentada por 8h em frente a este computador. Tudo bem, a culpa foi minha, quem mandou ser de humanas?

Eis que, virando o pescoço (de leve, pra não piorar o quadro), vejo a cadeira do chefe. É alta, imponente, encosto que cobre toda a superfície das costas, um luxo. Tem regulagem de altura decente para maiores de 1,65m. Revestimento acolchoado. Até a cor é diferente. Afinal, ele é o chefe, e se suas atitudes não mostrarem isso, tudo bem, afinal a cadeira se encarregará do resto.

É realmente patética esta separação. Uns dirão que os chefes trabalham mais horas (tenho colegas com média de 12 horas diárias que desmentem), que são mais velhos, que já esquentaram muita cadeira ruim. Ok. Mas será que para ser chefe (além de ser homem) precisa desenvolver lordose?

Há algumas semanas, enquanto procurava uma cadeira para a minha casa, logo fui atraída por um exemplar vistoso, alto, com encosto confortável — ou seja, a típica cadeira que nunca terei no trabalho. Na etiqueta, o nome: ‘cadeira diretor’. As que eu estava acostumada a sentar no trabalho eram as ‘cadeiras giratórias pretas’. Tinha a ‘cadeira presidente’ também, mas achei muito espalhafatosa.

Resignada, comprei a cadeira de diretor com meu salário de peão para disfrutar de alguns bons momentos em casa. E, de repente, fiquei muito motivada a disputar um cargo de chefia. Minha plataforma? Cadeira diretor para todos!

Alçada à chefia, poderia desfrutar de conforto ortopédico e algum prestígio, afinal ninguém senta numa cadeira dessas à toa, não é mesmo? Se meu plano falhar, abro um estúdio de pilates, afinal uma coisa é certa: não vai faltar patrão e peão estropeado no futuro próximo.