Por Vanessa Henriques
Posso estar rabugenta demais — ou simpática demais, não sei — mas algo tem chamado minha atenção pelos cantos do mundo. Há meses me dei conta de que os atendimentos fantasma são cada vez mais comum. Aliás, graças ao “nota-fiscal-paulista?” eles são não a maioria, mas estão chegando lá.
Pare e pense, querido leitor: quantas vezes nesta semana você completou uma transação sem trocar uma só palavra com o atendente? Pode ter sido na padaria, no supermercado, no restaurante ou talvez na banca de jornal. Se você não reparou, pois repare a partir de agora.
Comecei a atentar para isso já faz um tempo, e cada vez que penso nisso me entristece ver como há, de um lado, o desprezo daqueles que pagam por uma mercadoria ou serviço, que não tiram os olhos do celular e respondem com sons guturais aos questionamentos sobre a forma de pagamento. E de outro o atendente, cansado pelas horas puxadas de trabalho e pela quantidade de bons dia não respondidos.
É triste, pois chegamos novamente à conclusão do novo século (já não tão novo assim): que o elemento humano pode ser dispensável. Não estranharia se substituíssem os atendentes por máquinas, como já acontece em bilheterias de cinema e nas padarias, onde uma máquina grosseira, aliada a uma antipática catraca, cospe a comanda usada para anotar os itens consumidos.
O trabalho muitas vezes desvalorizado desses funcionários se alia ao mau humor da grande metrópole. “Mais amor, por favor” dizem as pichações. Ainda haveria amor por essas bandas, onde dizer ‘bom dia’ e ‘obrigado’ virou raridade?
Não sei, não sou eu quem vai saber responder essa pergunta. Vou continuar cumprimentando a todos, na esperança de ganhar uma resposta, ou ao menos aliviar uma jornada de trabalho que inclui só ‘crédito ou débito?’.
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