Por Vanessa Henriques
Stand Up Paddle é o esporte do momento. Com o estilo do surfe, mas sem as grandes chances de se levar um caldo, a modalidade atrai aqueles que normalmente não se arriscariam nos desígnios do mar. Mistura de remo e surfe, quem vê de fora não acha que a atividade seja tão difícil assim — e desconfio que esse seja o segredo de sua popularidade.
Você já deve ter se deparado com fotos de famosos em pé numa prancha de surfe, remando em direção a…. não sei em qual direção, mas o importante é que o esporte está em alta. Fotos no Instagram pipocam a todo instante com a Lagoa Rodrigo de Freitas ao fundo.
Li no jornal que os balneários paulistas estão investindo forte no esporte, providenciando a compra de equipamento e a formação de professores. Ninguém quer ficar de fora da nova moda, especialmente com o verão se aproximando.
Mas o que esse pessoal não sabe é que o SUP (apelido para os íntimos) já é praticado há tempos antes de ganhar fama e projeção nacional. Outro dia mesmo eu vi um cobrador de ônibus praticando SUP: no indefectível encontro entre o túnel que vem da Av. Dr. Arnaldo e a Av. Paulista o cobrador balançava os braços para fora, remando entre os automóveis na esperança de conseguir uma chance de chegar até o próximo ponto.
Em dia de jogo de futebol, não é difícil ver os flanelinhas desviando das motos e agitando os braços para indicar a melhor vaga para os ‘patrões’. Dois princípios básicos do esporte: remar e desviar das ondas e obstáculos!
Dá pra remar na beirinha do rio Tietê, para os corajosos que se aventuram pela malcheirosa ciclovia e tentam espantar as corpulentas capivaras que moram por ali. Ou então colocar a mão pra fora da janela do trem, que passa ali do lado, afinal não tem lugar pra deixar o braço lá dentro! Aliás, o governo deveria considerar um programa de remadores, que ficariam ao lado das janelas guiando a composição — com certeza aumentaria a velocidade atual.
Enquanto o antigo clube de regatas da região afunda, os remadores se espalham pela cidade. A ABSUP — nome engraçadíssimo da associação brasileira da categoria — que me perdoe, e os balneários também, mas o Stand Up Paddle já nasceu urbano!

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