Por Vanessa Henriques
Quando finalmente vi que iria me mudar, achei que seria uma ótima fase do blog. Finalmente teria coisas novas para dizer, experiências para compartilhar, causos pra dividir. Eis que, aproximadamente um mês depois do meu último texto não tive tempo de escrever uma vírgula a respeito.
Difícil essa vida de montar casa nova — aliás, se fosse casa, pior ainda, no caso é só um apartamento. A gente compra revista daqui, revista dali, tem mil inspirações, começa a sonhar com o novo cafofo antes mesmo de receber as chaves.
Aí vem o balde de água fria: o preço, lógico. Afinal ter uma casa descolada, ou até mesmo uma casa normal, mas que tenha minimamente a sua cara, custa muito. Mas persista, amigo, ande por muitas lojas, gaste finais de semana inteiros com isso (e depois se arrependa durante a semana), que uma hora o preço abaixa. Ou, na pior das hipóteses, a sua percepção se adapta.
Acreditei nas promoções, ainda que sabendo que muitas delas são enganosas. Um item em promoção numa loja pode ter o preço bem acima do normal em outra, mas às vezes vale a pena se deixar seduzir pelo preço riscado. “Tava R$50 mais caro!!” Tá, mas ainda é muito por um porta retrato.
Só que, em meio a tudo isso, bateu a dúvida (já falei que as revistas podem atrapalhar?). Que coisa chata colocar o sofá onde todo mundo coloca. E a TV logo na frente, que previsível. Aqui na página 37 desta revista tem um apartamento todo trocado que ficou bonito. E a vontade de ter jardim no apartamento? Comprar móveis de vime? Pendurar rede ao invés de sofá? Fazer hortinha?
Não esqueça os presentes! Aliás, jamais, eu disse jamé, compre panos de prato. Você vai ganhar muitos, acredite em mim. Tantos que nem saberá o que fazer com eles. E no fim vai agradecer por ter ganhado tantos panos, pois enquanto os sujos se acumulam na pilha de roupa pra lavar, você abre a gaveta e pega um novo.
“Se não tá gastando tempo lavando os panos de pratos, então porque não tem texto?”, você deve estar se perguntando. Porque passei os últimos finais de semana em filas intermináveis de supermercado, em lojas de material de construção que são maiores que shoppings e, nos dias de sorte, esperando a entrega da geladeira, o técnico do fogão ou lavando todo o faqueiro (e todas as suas dúzias de colheres).
Pior: a julgar pela quantidade de cafés, ‘open houses’ e almoços que andei prometendo, esse blog vai ficar meio abandonado por um tempo — a não ser que rendam histórias irresistíveis de se contar. Já falei que tá faltando tempo pra contá-las?
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