Nas malhas da malhação

Por Vanessa Henriques

Apesar de algumas incursões do tipo “uma semana grátis”, nunca fiz academia de forma séria. Sempre gostei de exercício e fiz bastante coisa por conta própria, mas nunca assim tão regrado quanto se matricular e se comprometer a ir pelo menos três vezes por semana.

Estou gostando bastante da nova rotina, já me sinto bem adaptada. Mas logo nas primeiras semanas percebi o óbvio: que eu precisaria comprar roupas para fazer ginástica. Não foi tão óbvio assim no começo, claro, mas eu peguei os sinais.

Enquanto minhas colegas desfilavam com roupas colantes e coloridas, eu amargava com algumas (para não dizer sempre as mesmas) camisetas de corrida e uns shorts que havia ganho da minha irmã (não me pergunte em que década). Não consigo me lembrar das últimas peças que comprei para este fim específico, afinal sempre usei camisetas de propaganda, blusinhas gastas e calças “para andar em casa” e vivia feliz — afinal, eu obviamente não cumpria a meta das três vezes por semana.

Com esta resolução, saí em busca de roupas colantes para chamar de minhas. Aproveitei uma passada num outlet para colocar fim à questão, com a companhia de um noivo, uma irmã e um cunhado empenhados em me fazer olhar mais para a peça do que para o valor na etiqueta.

Eis que adentrei um novo mundo. Provei peças de qualidade muito superior a qualquer roupa que uso para trabalhar. Os tecidos, as cores, quanto luxo. Parte de mim tinha pena de usar roupas tão bonitas com o único propósito de suar. A outra parte pensava em mudar de ramo para poder andar o dia todo com elas (cursar educação física? Home office? Todas hipóteses válidas).

Voltei brevemente à realidade quando cheguei ao caixa, mas retorno à minha fantasia em poliéster toda vez que escolho minha roupa pela manhã. Acho que o pessoal nem me reconhece lá na academia, mas por sorte já equilibrei o placar e estou para ultrapassar em número as semanas bem-vestidas.

Claro que sempre há espaço para deslizes: justo no dia que derrapei e usei um modelito da velha guarda (culpa da chuva e de uma máquina de lavar disputadíssima), inventaram de tirar uma foto do meu “antes”. Com medo do dia do “depois”, agora tenho que caprichar todos os dias. Mas o estoque para as próximas décadas, ao menos, está garantido.

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