Fi-lo porque qui-lo

Por Vanessa Henriques

            Sábado de sol na capital, fui ao centro bater perna. Depois de dar algumas voltas, me lembrei de um filme que iria passar num centro cultural ali perto. Corri para entrar na fila, e me animei ao ver a clientela: umas 20 pessoas aguardavam pacientemente, enquanto o atendente me dizia que chamariam na bilheteria dentro de 5 minutos. Sorte grande.

                E, de fato, dentro de 5 minutos a fila andou. Andou rapidamente, por sinal. Depois de mais 5 minutos na fila e já quase na boca do caixa, a atendente anuncia:

                — Acabaram os ingressos pessoal. Agora, só em DVD.

                Os poucos que estavam na fila se entreolharam, desapontados. Como os ingressos já podiam ter acabado, tinha tão pouca gente ali!! O jeito era puxar o carro, quem sabe encontrar algo mais a fazer.

                A caminho do metrô, chega uma mensagem de uma amiga. Tinha ido a uma exposição do outro lado da cidade mas, chegando lá, a fila já tinha fechado. O horário? Meio-dia na cebolinha. Outro dia a mesma amiga tinha comentado que uma colega dela foi a exposição mais badalada da cidade: 6 horas de espera.  Achei de bom tom não perguntar se tinha valido a pena.

                Minha impressão é que há em São Paulo infinitas opções de atividades culturais — até mesmo a ponto das pessoas utilizarem isso como pretexto para continuar por essas bandas —, mas poucas pessoas aproveitam essa quantidade imensa de opções. Quando você pergunta pro colega o que ele fez no final de semana, a resposta costuma ser: “Ah, fiquei em casa, depois fui dar uma volta no shopping”.

                E quando decide aproveitar o sábado pra aproveitar a vida na cidade, o paulistano não tem dúvida: vai na exposição ou ao filme que todos estão comentando. E dá-lhe horas na fila, faça chuva ou faça sol, tenha vendedor de salgadinho por perto ou não, com lugar pra sentar ou na sarjeta.

                Não que eu não faça isso, já passei horas em filas — umas valeram a pena, outras só deram raiva. Hoje mesmo no almoço enfrentei uma bicha daquelas só pra carregar o bilhete do ônibus. Tudo pra chegar lá na frente e ouvir da atendente: “Ih moça, olha aqui, o sistema caiu”.

                O jeito é andar por aí procurando programas alternativos, daqueles que ninguém toparia. Concerto de harpa às 8 da manhã do sábado? Tô dentro! Exposição de baratas de Madasgar? Pode me chamar! E filme, pelo jeito só em DVD…

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