Menina-moça

Por Vanessa Henriques

– Nossa, como você está bonita! – digo com empolgação à minha sobrinha. Aliás, está linda mesmo. Fazia um tempinho que não a via, mas não era possível dizer que aquela dócil criatura completava 13 anos diante dos meus olhos. Acompanhei todas as fases de sua vida e devo dizer que nunca vi essa menina minimamente desengonçada pela cruel passagem da infância para a vida adulta.

E se meu olhar de tia zelosa não é dos mais imparciais, ao menos não sou sua mãe, que afirma com orgulho: “já está uma moçona, parece uma adulta”. E parece mesmo: cabelo muito bem arrumado, unhas pintadas, maquiagem leve porém presente, e até sobrancelhas definidas essa menina já tem! Peraí, alguma coisa eu perdi nesse meio tempo! Até meus 17, 18 anos lutei para colocar essa sobrancelha no lugar e minha sobrinha aparece com ela arqueadinha aos 13 anos?

Quando parei para pensar, isso não é privilégio dos novos genes da família: se você der uma volta por aí, vai reparar que os jovens entram cada vez mais cedo na chamada adolescência – o que não é novidade, é fato científico alardeado há tempos. Mas mais do que isso: no meu tempo (ih, já virei esse tipo de pessoa) entrar na adolescência significava outra coisa, era entrar nessa fase incômoda na qual não estamos confortáveis em nossa pele. O clássico dilema: somos adultos ou somos crianças?

E isso ficava evidente no modo como agíamos, nos sentíamos e, principalmente, como nos vestíamos. Quantas não eram minhas amigas (e eu também, claro), que tínhamos algum complexo: ou só usava camiseta larga, ou não usava o cabelo solto, não sabia exatamente a hora de começar a encarar uma depilação – ou mesmo um sutiã!

Será que hoje isso ainda acontece? Olho ao meu redor e noto a maioria das meninas muito bem vestidas e arrumadas, ao menos na superfície. Mas o que passa por dentro não dá pra eu e ninguém mais saber. Quem sabe um dia umas dessas meninas nos conte o que acontecia de verdade.

Olho para minha irmã no outro canto da sala: ela se aglomera com alguns conhecidos em cima de um livro. Aproximo-me e qual não é a minha surpresa: no clima de uma festa cheia de adolescentes, tiveram a brilhante ideia de remexer fotos antigas! Ok, hora de intervir! E fica a lição para a nova geração: jamais deixe familiares com fotos suas com idade entre 12 e 18 anos – e não importa quão bonitinha você pense que é!

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